quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Beata Joana Franchi, Fundadora - 23 de fevereiro

    
     Joana Franchi nasceu em Como (Lombardia), Itália, no dia 24 de junho de 1807, segunda filha de José Franchi, magistrado do Tribunal da Cidade, e de Josefina Mazza, uma família nobre, rica e muito religiosa. Batizada no dia seguinte ao seu nascimento, ela recebeu o Sacramento da Confirmação aos 11 anos, como era costume na época.
     Como todas as jovens de sua classe social, aos sete anos de idade ela foi confiada ao prestigioso educandário do Mosteiro de São Carlos das Visitandinas de Como. O educandário prescrevia que por 10 anos as estudantes não podiam ver a família, a não ser raramente através de uma grade.
     Voltando à família, dedicou-se a cuidar de seus pais, ao ensino de catecismo na paróquia e a participar de associações católicas. Após uma breve experiência de noivado, que terminou com a morte de seu noivo em 1840, quando Joaninha tinha 33 anos decidiu consagrar-se totalmente ao Senhor.
     A partir de 1846, ela colocou-se sob a direção espiritual do piedoso Arcipreste da Catedral de Como, Padre G. Abbondio Crotti, que também realizava apostolado entre os doentes e os prisioneiros. Após o falecimento dos pais, intensificou a assistência aos doentes na residência.
     Mais tarde, em nome do Arcipreste da Catedral, ela comprou uma propriedade na Via Vitani, no bairro pobre de Cortesella, onde, em 27 de setembro de 1853, com três companheiras, Nina Luigia Allegri, Lucrécia Schiavetti e Ana Maria Poletti, fundou a Pia União das Irmãs Enfermeira da Caridade. O grupo, liderado pelo cônego João Abbondio Crotti, tinha uma vida em comum naquela casa. Pio IX concedeu a elas permissão para ter um oratório privado.
     Na Páscoa de 1858, Joaninha Franchi usou pela primeira vez o hábito religioso, confiou a Pia União das Irmãs Enfermeiras à Virgem Dolorosa, e em 21 de novembro foi seguida por suas companheiras.
     As Pias Enfermeiras, de acordo com o projeto original de São Francisco de Sales para as Visitandinas, assistiam os doentes em casa e as mulheres na prisão de São Donino; dedicavam-se ao cuidado físico e moral dos doentes, pobres, idosos, pessoas sozinhas e sem teto.
    Joana compôs para si e para as Irmãs o método de vida aprovado em 16 de julho de 1862 pelo bispo de Como, Mons. Marzorati. Uma regra de vida muito simples, mas baseada em alguns princípios fundamentais para favorecer pacientes gravemente doentes e moribundos, porque estão mais sozinhos e mais próximos do encontro com Deus; considerar a presença viva de Cristo na Eucaristia e na pessoa que sofre; mostrar-se "corajosa e humilde ao mesmo tempo, paciente e de maneiras corteses, amantes do silêncio e da fadiga, bem dispostas para ajudar os doentes e para qualquer trabalho de caridade, sem exceção, por mais extenuante e repugnante”.
     Joana chegava a recomendar às Irmãs: "não deixem de fazer trabalhos que são indiscriminadamente solicitados, como varrer os quartos, lavar tigelas, limpar os doentes, mostrando naquilo uma santa alegria e consolação, certas de realizarem uma ação muito nobre e preciosa aos olhos de Deus". Todo o carisma da fundadora pode ser resumido em uma expressão "o amor do próximo seja nas Irmãs um amor universal que abraça todos no Senhor e não exclui ninguém" (Método de vida, n. 1).
     No verão de 1871, enquanto em Como a varíola (segundo alguns a cólera) semeava a morte, a fundadora foi generosa na assistência às pessoas afetadas pelo mal. Infectada pela varíola (ou cólera) ela caminhou rapidamente para o final de sua existência, falecendo em odor de santidade às 5:30 do dia 23 de fevereiro de 1872, quatro meses antes de completar 65 anos de idade. O funeral realizou-se na manhã de 24 de fevereiro, mas foi um ato humilde e silencioso, ou seja, sem a presença de muitas pessoas como precaução por causa da temida propagação da epidemia.
     No anúncio de sua morte redigido pelas Irmãs se lê: “Hoje, dia 23 de fevereiro, cai uma semente que era a sustentáculo de todas nós e de todos os pobres da cidade”.
     Sua espiritualidade, infundida pelo Espírito Santo, continua vivo até a atualidade nas diferentes instituições assistidas por suas filhas.
     Em 27 de setembro de 1994, Mons. Alexandre Maggiolini, Bispo de Como, abriu o processo diocesano, encerrado em 27 de setembro de 1995. O Papa Bento XVI declarou-a Venerável em 20 de dezembro de 2012. Em 9 de dezembro de 2013 o Papa Francisco aprovou o milagre que prepara o caminho para sua beatificação.

Fonte: www.santiebeati.it/


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Nossa Senhora do Divino Pranto

     
     Na comunidade das Irmãs Marcelinas, em Cernusco, na Itália, berço da Congregação, o médico Dr. Bino, no dia 6 de janeiro de 1924, apresenta seu diagnóstico a respeito de uma jovem religiosa enferma, Irmã Elizabeth: “Nada mais posso fazer por ela. A medicina já não tem recursos neste caso”.
     Muito querida por todos, a irmã está cega, debilitada, prostrada por tremendas dores. Muitas vezes, fica durante horas e horas inconsciente. Imersa em dores, o sorriso permanece em seus lábios.
     Às dez e trinta da noite todas dormem na casa religiosa. Na enfermaria, Irmã Elizabeth respira com muita dificuldade. De repente, a religiosa começa a falar. As irmãs presentes escutam atônitas o que ela diz: “Oh! Como a Senhora é boa! Mas eu tenho uma dor tão grande que nem sei oferecer direito a Deus… Reze a Senhora que é tão boa!”.
     As religiosas estão atentas, mas não podem ouvir a resposta da ‘Senhora’ que, no entanto, fala: “Reza! Confia! Espera! Voltarei de 22 para 23 de fevereiro″.
     Em meio ao seu sofrimento, a enferma pensa na dor das outras irmãs enfermas: “Vá falar com Irmã Teresa, Irmã Amália e com Irmã Elisa Antoniani, que há tantos anos está doente!”. A boa ‘Senhora’ sorri e desaparece.
     Na manhã seguinte, as companheiras de quarto comentam: “Ontem, à noite, Irmã Elizabeth não parava de falar, sonhando”. Prontamente ela respondeu: “Não sonhei, falei com aquela ‘Senhora’”. As religiosas sorriem penalizadas. A enfermeira, bondosa e enérgica, repreende a Irmã Elizabeth, dizendo: “Que pode ter visto você, que está cega há um ano? Você sonhou e não invente tolices!”
     A Superiora, Irmã Ermínia Bussola, também tenta convencê-la: “Quero-lhe muito bem e não a engano. Repito que aqui em casa não veio ninguém de fora. Você sonhou”.
     A pobre Superiora por toda a sua vida teve que lamentar-se de sua incredulidade. Foi, ao invés, no plano de Deus, uma das tantas provas que autenticaram a aparição.
     Irmã Elizabeth prossegue tranquila carregando sua cruz.
De 22 para 23…
     Chega fevereiro trazendo neve e frio intenso. A enferma aguarda um novo encontro com a ‘Senhora’ para o dia 2. Não dorme, ouvindo as batidas do relógio e conta as horas. A noite passa sem nenhuma novidade. Vem a manhã do dia 3 e Irmã Elizabeth mal disfarça o choro. A Superiora pergunta-lhe a razão da tristeza. A enferma responde: “Ela não veio… tinha dito de 2 para 3...”. A Superiora fica preocupada com as faculdades mentais de Irmã Elizabeth que piora a cada dia.
     Novamente o médico é chamado. Sua opinião: “Desta vez é o fim. Não há nada mais a fazer. A Irmã tem poucas horas de vida”.
     No dia 22 de fevereiro, na enfermaria, Irmã Gariboldi vela pela agonizante acompanhada de outra religiosa. São vinte e três horas e quarenta e cinco minutos. As duas Irmãs rezam em voz baixa. Pedem misericórdia para a coirmã que sofre tanto. Neste momento, Irmã Elizabeth tem um sobressalto. As Irmãs acodem, pensando que chegou o momento final. Mas, aquela que há quinze dias não fala, grita, agora: “Oh! a ‘senhora’! A ‘senhora’”!
     Trêmula, a Irmã Gariboldi convida a outra Irmã a ajoelhar-se e murmura: “Se for a Senhora, levá-la-á consigo!” Sem nada entender, as duas espectadoras ouvem atentamente: “Oh! a ‘senhora’! De 22 para 23? Pois eu havia entendido de 2 para 3. E era de 22 para 23!…”
     De repente, a Irmã Elizabeth se ergue um pouco mais e sua atitude é de espanto quando diz: “Mas, ‘senhora’… é Nossa Senhora! É Nossa Senhora!” Ela vê que a Virgem traz o Menino Jesus nos braços e Ele está chorando. “Chora por meus pecados? Chora porque não o amei bastante?…”
     As religiosas presentes nada ouvem, mas pressentem que algo extraordinário está ocorrendo. A Senhora responde: “…O Menino chora porque não é bastante amado, procurado, desejado também pelas pessoas que Lhe são consagradas… Tu deves dizer isto!”
A Missão
     Irmã Elizabeth ainda não havia percebido a missão que a Senhora lhe confiava. Ela julga que a Virgem viera levá-la ao Paraíso, no que se equivoca: Maria SSma. quer dar-lhe uma missão.   A Irmã sente que não é capaz de espalhar a mensagem. Acha que ninguém acreditará nela. Por isso, pede que Nossa Senhora lhe dê um sinal. Então, Nossa Senhora com um carinhoso sorriso se inclina levemente e diz: “Devolvo-te a saúde!”, desaparecendo com o Menino Jesus logo em seguida. 
     Alguém se lembra de chamar a Superiora que se levanta, achando que vai encontrar a enferma dando seu último suspiro. Ao invés disso, vê a doente luminosa, de olhos radiantes.
     Irmã Elizabeth corre a abraçar a Superiora, exclamando: “Nossa Senhora curou-me e mandou-me dizer que Jesus chora porque não é bastante amado, procurado, desejado também pelas pessoas que lhe são consagradas!”
     O médico que a acompanhou sempre afirmou: “A cura de Irmã Elizabeth não pode ser explicada pela ciência”. Antes, ateu, converteu-se e tornou-se um cristão fervoroso.
     Mais tarde, conseguida a aprovação da Igreja para este culto de Nossa Senhora, foi modelada uma imagem de acordo com a descrição feita por Irmã Elizabeth.
     Ainda hoje, em Cernusco e em vários países, as Irmãs Marcelinas espalham esta devoção à Virgem Santíssima. A afluência de peregrinações ao local da aparição é grande. A capela já não é suficiente para conter todos aqueles que, cheios de fé, diante da Virgem do Divino Pranto, rezam, confiam e esperam.

Jaculatória: Querido Menino Jesus, amar-Vos-ei muito para enxugar as lágrimas que Vos faz derramar a ingratidão dos homens.

Fontes: Virgem Imaculada; www.adf.org.br/

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Santa Bernadette Soubirous – 18 de fevereiro

(cont.)

Manuscritos de Sta. Bernadette - A Vidente de Na. Sra. de Lourdes 

     
Bernadette por ocasião das Aparições
     Mari
a Bernarda, ou Bernadette, nasceu em Lourdes, nos contrafortes dos Pirineus franceses, no dia 7 de janeiro de 1844. Seus pais eram patrões de moinho e tinham tido certa abastança, mas por sua facilidade em perdoar as dívidas acabaram caindo na miséria.
     A vida de Bernadette resume-se em praticar o que lhe recomendou a Santíssima Virgem: rezar, especialmente o Rosário, e fazer penitência pelos pecadores.
     Por isso, tendo entrado posteriormente no convento das Irmãs da Caridade de Nevers, sua oração frequente era: 
          “Ó Jesus! Ó Maria! Fazei que todo meu consolo neste mundo consista em amar-vos e sofrer pelos pecadores. Que eu mesma seja um crucifixo vivente, transformada em Jesus. [...] Tenho que ser vítima [...] Levarei com valentia e generosidade a cruz oculta em meu coração. Minha ocupação é sofrer”. (1)
     Analfabeta até os 14 anos, em sua humildade ela se considerava pouco inteligente e capaz. Por isso dizia: “Posto que não sei nada, posso pelo menos rezar o Rosário e amar a Deus com todo o coração. E, ademais, a Santíssima Virgem recomendou tanto que rogasse pelos pecadores!”.
“Tenho necessidade do socorro das almas boas”
     Nada melhor para se conhecer a vida de um santo do que através de suas próprias palavras. Possuímos mais de 100 cartas da santa de Lourdes que dão testemunho de uma inteligência viva, alegre e perspicaz.
     Assim, na primeira delas, dirigida a um fervoroso devoto de Lourdes, a santa lhe pede que reze por ela a Nossa Senhora, para alcançar-lhe “a graça de corresponder fielmente a todos os desígnios de Deus sobre mim. Eu sou, senhor, muito fraca. Tenho grande necessidade do socorro das preces das almas boas, para não abusar do favor que recebi do Céu, apesar de indigna” (Carta de 3/12/1862 a D. Antônio Morales, p. 23). (2)
Alta compreensão da vocação religiosa
     Santa Bernadette compreendia bem a vida religiosa. Pelo que escreve a seu irmão João Maria, que queria tornar-se religioso, pode-se compreender como ela vivia sua consagração a Deus: “Lembremo-nos frequentemente desta palavra do divino Mestre que nos diz: ‘Eu não vim para ser servido, mas para servir’. Isso parece duro e difícil à natureza, mas quando se ama bem a Nosso Senhor, tudo se torna fácil”.
     “Quando alguma coisa nos custa, digamos em seguida: ‘tudo para vos agradar, ó meu Deus, e nada para me satisfazer’. Este outro pensamento me fez também muito bem: ‘fazer sempre o que mais nos custa’; isso me ajudou a me sobrepor a muitas pequenas repugnâncias” (Carta a João Maria, de 21/4/1870, p. 63).
Grande devoção à Sagrada Eucaristia
     Sobre sua devoção à Sagrada Eucaristia, encontramos um exemplo na carta que escreve às suas primas, que se preparavam para fazer a 1ª. Comunhão:
     “Ó minhas queridas crianças! É necessário se ter um coração de anjo para receber Nosso Senhor como Ele merece! Fazei-o pelo menos com a maior fé, humildade e amor que vos seja possível.
     “E, assim que Nosso Senhor estiver em vosso coração, abandonai-vos a Ele, e gozai em paz as delícias de sua presença. Amai-O, adorai-O, ouvi-O, louvai-O, eu diria mesmo, desfrutai-O.
     “Ó feliz momento! Só a eternidade nos reserva alegrias maiores” (Carta às suas primas, por volta de 1875, p.102).
     A seu irmão mais novo, Pedro, que também iria fazer a 1ª. Comunhão, ela escreve: 
     “Não é preciso dizer, meu querido irmãozinho que daqui para frente teu coração, teu espírito, tua alma, não devem ocupar-se senão de um pensamento: o de fazer de teu  coração a morada de um Deus.
     “Oh! sim, é necessário que esse bom Salvador esteja continuamente presente em teu pensamento, e pedir-Lhe que Ele mesmo prepare sua morada, a fim de que não falte nada à sua chegada” (Carta a seu irmão Pedro Bernardo, de 23/5/1872, p. 80).
     Sobre a alegria de poder comungar, ela confidencia também à sua irmã Maria: “Nosso Senhor é tão bom! Eu tive a felicidade de O receber durante toda minha doença três vezes por semana em meu pobre e indigno coração. A cruz se tornava mais leve e os sofrimentos doces, quando eu pensava que teria a visita de Jesus e o insigne favor de O possuir em meu coração” (Carta de 28/4/1873, pp. 85-86).
Percebendo a mão de Deus que castiga
     Bernadette via com olhos sobrenaturais os acontecimentos de sua época.
     Assim, por exemplo, em 1870, durante a guerra franco-prussiana, quando os alemães já estavam próximos de Nevers — e, portanto, ameaçavam a própria segurança das irmãs —, estando já a comunidade inteira a serviço dos feridos, Santa Bernadette escreve à sua irmã Maria:
     “Não temos senão uma coisa a fazer: é pedir muito à Ssma. Virgem, a fim de que Ela queira interceder por nós junto de seu querido Filho, e nos obter perdão e misericórdia; tenho a doce confiança de que a Justiça de Deus que nos castiga neste momento será então aplacada por essa terna Mãe” (Carta à sua irmã Maria, de 25/12/1870, p.70).
     Em 1871, durante os grandes tumultos da Comuna de Paris, ela escreve à Madre Alexandrina: 
     “Permiti, minha querida Mãe, que vos deseje um bom Aleluia, bem como a todas as queridas Irmãs. Nós deveríamos mais chorar do que nos regozijar vendo nossa pobre França tão endurecida e tão cega.
     “Quanto Nosso Senhor é ofendido! Roguemos muito por esses pobres pecadores, a fim de que eles se convertam: apesar de tudo, são nossos irmãos! Peçamos a Nosso Senhor e à Santíssima Virgem que transformem esses lobos em cordeiros” (Carta à Madre Alexandrina Roques, de 3/4/1872, p. 78). 
     Já em 1875, numa outra carta, fazendo alusão aos massacres cometidos em Paris durante o advento da Terceira República e das grandes enchentes na região de Lourdes, ela diz à sua irmã Maria, em carta de 4 de julho:
     “O bom Deus nos castiga, mas é sempre pai. As ruas de Paris foram regadas pelo sangue de um grande número de vítimas, e isso não foi suficiente para tocar os corações endurecidos no mal; foi necessário que as ruas do Sul fossem também lavadas e que elas tivessem também suas vítimas. Meu Deus! Como o homem é cego se não abre seu coração à luz da fé! Depois de infelicidades tão terríveis, não teremos a tentação de nos perguntar o que teria podido provocar esses terríveis castigos?
     “Escutemos bem, e ouviremos uma voz, no fundo de nosso coração, a nos dizer: é o pecado, sim, o pecado, pois que é a maior infelicidade que nos atrai todos os castigos. O mal que cometemos com malícia cai sobre nós. Eis a felicidade e as vantagens que nos procuram a obra do pecado. Ó meu Deus, perdoai-nos e fazei-nos misericórdia” (pp. 97-98).
     Ela pensa nos militares que tinham de manter a ordem e a disciplina durante esses tempos calamitosos. Assim, diz a seu irmão, que havia se engajado no exército: 
     “Eu sei que os militares têm muito que sofrer em silêncio. Se eles tivessem o cuidado de dizer todas as manhãs ao levantar-se estas curtas palavras a Nosso Senhor: ‘Meu Deus, hoje eu quero fazer tudo e sofrer tudo por vosso amor’, quantos méritos adquiririam para a eternidade.
     “Um soldado que fizesse isso e fosse fiel aos seus deveres de cristão tanto quanto lhe seja possível, teria tanto mérito quanto um religioso.
     “Com efeito, o religioso não pode esperar recompensa de seus trabalhos e de seus sofrimentos senão pelo que tiver sofrido e trabalhado para comprazer a Nosso Senhor” (Carta a João Maria, de 1/7/1876, p.109).
“Nossa família é mais numerosa no Céu”
Santa Bernadette religiosa em Nevers
     Sua irmã Maria, que já tinha perdido três filhos, perde a última filha que lhe restava. A carta que lhe escreve Santa Bernadette é cheia de espírito sobrenatural:
     “Adoremos sempre e bendigamos a mão poderosa de Nosso Senhor, que não nos atinge senão para nos curar e nos fazer ver o nada das coisas desta miserável Terra, onde não estamos senão de passagem.
     “Eu compreendo que para o coração de uma mãe é bem triste, eu diria mesmo cruel, perder seu quarto filho.
     “É certo que a prova é bem rude. Mas quando olho as coisas com os olhos da fé, não posso me impedir de exclamar: feliz mãe que envia anjos ao Céu, que rezarão por ti e por toda a tua família. Eles serão nossos protetores junto de Nosso Senhor e da Santíssima Virgem. [...]
     “Coragem: nossa família é mais numerosa no Céu do que na Terra. Rezemos, trabalhemos e soframos tanto quanto agradar a Nosso Senhor. Talvez daqui a pouco partilharemos sua felicidade” (Carta de 26/8/1876, p.115).
Em carta ao Papa: “Há muito que sou um zuavo”
     O Beato Pio IX também faleceu não muito depois: em 7 de fevereiro de 1878. Ele deixou a Terra em meio a grandes sofrimentos provocados pelos inimigos da Igreja que invadiram e usurparam os Estados Pontifícios, dos quais o Papa é rei.
     Naquela data brilharam pelo seu heroísmo os zuavos pontifícios, muitos dos quais morreram em combate defendendo o reino do Papa.
     A eles se refere Santa Bernadette quando diz “há já alguns anos que eu me constituí pequeno zuavo” (3). Seu coração estava junto com aqueles bravos soldados que davam sua vida pela Igreja no campo de batalha.
     Para os inimigos da Igreja Santa Bernadette tem essa frase de conteúdo profético que faz pensar em La Salette e Fátima: Nossa Senhora “se dignará colocar ainda mais uma vez Seu pé sobre a cabeça da serpente maldita, e dar assim um termo às cruéis provações da Santa Igreja e às dores de seu augusto e Bem-Amado Pontífice”.
     Eis a carta:
     Santa Bernadete com as freiras do hospital de Lourdes
     Santíssimo Padre, eu jamais teria ousado tomar a caneta para escrever a Vossa Santidade, eu, pobre Irmãzinha, se nosso digno bispo, Mons. de Ladoue, não me tivesse encorajado. (...)
     Eu temi, de início, ser demasiado indiscreta; depois me veio ao pensamento que Nosso Senhor ama de ser importunado, tanto pelos pequenos quanto pelos grandes, pelo pobre e pelo rico, e que Ele se dá a cada um de nós sem distinção.
     Esse pensamento me deu coragem e, portanto, não tenho mais medo. Aproximo-me de Vós, Santíssimo Padre, como uma criancinha pobre até ao mais tenro dos Pais, cheia de abandono e de confiança.
     O que poderia eu fazer, Santíssimo Padre, para Vos testemunhar o meu amor filial? Eu não posso senão continuar o que fiz até o presente, isto é, sofrer e rezar.
     Há já alguns anos que eu me constituí, apesar de indigna, pequeno zuavo de Vossa Santidade; minhas armas são a oração e o sacrifício, que conservarei até o meu último suspiro.
     Somente então cairá a arma do sacrifício, mas a da oração me acompanhará até o Céu, onde será bem mais poderosa do que nesta terra de exílio.
     Eu rezo todos os dias ao Sagrado Coração de Jesus e ao Coração Imaculado de Maria para que Vos conservem ainda por muito tempo entre nós, porquanto Vós Os fazeis conhecer e amar tão bem.
     Eu tenho a doce confiança de que esses Corações Sagrados se dignarão de atender este desejo, que é o mais querido do meu coração.
     Parece-me, quando rezo nas intenções de Vossa Santidade, que do Céu a Santíssima Virgem deve com frequência pousar seu olhar materno sobre Vós, Santíssimo Padre, porque Vós A proclamastes Imaculada. “Eu sou a Imaculada Conceição” (no dialeto que falava Santa Bernadete).
     Gosto de pensar que Vós sois particularmente amado por esta boa Mãe porque, quatro anos depois, Ela própria veio a esta terra para dizer: “Eu sou a Imaculada Conceição”.
     Eu não sabia o que isso significava, eu nunca havia ouvido esta palavra. Depois, refletindo, eu me disse com frequência: como é boa a Santíssima Virgem. Dir-se-ia que Ela veio confirmar a palavra do nosso Santo Padre.
     É isso que me faz acreditar que Ela deve Vos proteger muito especialmente.
     Espero que esta boa Mãe tenha piedade de seus filhos, e que Ela se dignará colocar ainda mais uma vez Seu pé sobre a cabeça da serpente maldita, e dar assim um termo às cruéis provações da Santa Igreja e às dores de seu augusto e Bem-Amado Pontífice.
     Osculo humildemente os vossos pés e sou, com o mais profundo respeito, Santíssimo Padre, de Vossa Santidade a humílima e muito submissa filha.
Irmã Marie-Bernard Soubirous 
_________________
Notas:
1. Dom Prospero GuérangerEl Año Litúrgico, Editorial Aldecoa, Burgos, 1956, tomo II, p. 779.
2. As cartas são traduzidas da obra Soeurs de la Charité de NeversSainte Bernadette d’après ses lettres, P. Lethielleux, Paris, 1993.
3. “Zuavo Pontifício”. Nome do corpo de infantaria francesa, originalmente recrutado na Argélia, composto por voluntários católicos que se dispuseram a proteger o Papa Bem-aventurado Pio IX contra os revolucionários que invadiram os Estados Pontifícios. Foram acrescidos de voluntários alemães, franceses, belgas, romanos, canadenses, espanhóis, irlandeses e ingleses.

Fonte: Plinio Maria Solimeo, Catolicismo http://catolicismo.com.br/
https://ipco.org.br/santa-bernadette-a-santa-que-achava-pertencer-a-tropa-de-elite-do-papado/

Santa Bernadette Soubirous – 18 de fevereiro


     A incorruptibilidade do corpo de Santa Bernadette Soubirous é um dos casos mais assombrosos e estudados pela medicina.
     Nesta semana que se comemora a grande festa de Lourdes (11 de fevereiro) e a festa de Santa Bernadette (18 de fevereiro na França, porém no 16 de abril alhures) é proporcionado voltarmos sobre o caso.
     Desde 3 de agosto de 1925, o corpo intacto da Santa se encontra exposto numa urna de cristal na capela do convento de Saint-Gildard, na cidade de Nevers, França. A cidade fica na Borgonha, a 260 km ao sul-sudeste de Paris.
Primeira exumação
     Em 22 de setembro de 1909, trinta anos após o velório, seu cadáver foi exumado pela primeira vez e o corpo encontrado intacto.
     Os Drs. Ch. David e A. Jordan, que conduziram esta primeira exumação, escreveram no relatório da perícia:
“O caixão foi aberto na presença do Bispo e do Prefeito de Nevers, seus principais representantes e diversos religiosos.
“Não notamos nenhum odor.
“O corpo estava vestido com o Hábito da Ordem a que pertencia Bernadette. O Hábito estava úmido.
“Apenas a face, mãos e antebraços estavam descobertos.
“A cabeça estava inclinada para a esquerda. A face estava lânguida e branca. A pele estava apegada aos músculos e estes apegados aos ossos.
“As cavidades oculares estavam cobertas pelas pálpebras […]
“Nariz dilatado e enrugado. Boca levemente aberta e se podia ver os dentes no lugar.
“As mãos, cruzadas sobre o peito, estavam perfeitamente preservadas, bem como suas unhas. As mãos seguravam um terço. Podia se observar as veias no antebraço.
“Os pés estavam enrugados e as unhas intactas.
“Quando o Hábito foi removido e o véu levantado de sua cabeça, pode se observar um corpo rígido, pele esticada […]
“Seu cabelo estava com um corte curto e bem preso à cabeça. As orelhas estavam em perfeito estado de conservação […]
“O abdome estava esticado, assim como o resto do corpo. Ao ser tocado, tinha um som como de papelão.
“O joelho direito estava mais largo que o esquerdo.
“As costelas e músculos se observavam sob a pele […]
“O corpo estava tão rígido que podia ser virado para um lado e para o outro […]
“Em testemunho de que temos corretamente escrito esta presente declaração, a qual representa a verdade em sua totalidade.
Nevers, 22 de setembro de 1909, Drs. Ch. David, A. Jourdan”.
Segunda exumação
     Em 1919, dez anos depois da primeira exumação, realizou-se uma segunda exumação do corpo de Santa Bernadette, conduzida desta vez pelos Doutores Talon e Comte, com a presença do Bispo da cidade de Nevers, bem como do Delegado de Polícia e representantes da Prefeitura e da Igreja.
     A situação encontrada foi exatamente a mesma da primeira exumação.
Terceira exumação
     Por fim, a 18 de novembro de 1923, Sua Santidade o Papa Pio XI assinou decreto reconhecendo a heroicidade das virtudes de Bernadette.
     Após a beatificação da Santa, foi efetivada uma terceira exumação em 12 de junho de 1925. O objetivo era a retirada de “relíquias” de seu corpo. A canonização viria oito anos mais tarde, em 1933.
     Sobre esta última exumação, escreveu o Dr. Comte em seu relatório, em termos forenses que por vezes espantam aos leigos, mas que nos permitem medir com exatidão o grau da incorruptibilidade do corpo da Santa.
     Naquela época foi confeccionada a urna de cristal que guarda o corpo de Santa Bernadette. As freiras cobriram seu rosto e as mãos com uma camada fina de cera.
     A urna se encontra hoje numa bela capela fora da clausura para que possa ser visitada.
     O corpo milagrosamente preservado de Santa Bernadette encoraja os visitantes a imitarem a vida de Santa Bernadette e levarem a sério as mensagens transmitidas pela vidente da Imaculada Conceição.

Fontes:
http://www.catholicpilgrims.com/lourdes/bb bernadette body.htm
http://www.lepanto.com.br/

(cont.)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Santa Gobnat (Gobnait) Virgem - 11 de fevereiro

    
Antiga gravura em que a Santa é representada
cuidando de colmeias; vê-se no alto, os cervos
brancos, conforme narrativa em sua vida. 
     Santa Gobnat (também conhecida como Gobnait ou Mo Gobnat ou Abigail ou Débora) é o nome de uma santa irlandesa cuja igreja se encontrava em Móin Mór, depois chamado Bairnech, na cidade de Ballyvourney, Comarca de Cork, na Irlanda. Sua igreja e convento ficavam às margens entre Múscraige Mittine e Eóganacht Locha Léin.
     Gobnat nasceu na Comarca Clare no século V ou VI, e diz-se que era irmã de São Aban. Ela escapou de uma contenda familiar e se refugiou em Inis Óir nas Ilhas Aran. Ali um anjo apareceu e disse a ela que aquele “não era o local de sua ressurreição” e que ela deveria procurar por um local onde ela encontraria 9 cervos pastando. Ela encontrou o local atualmente chamado Floresta de St. Gobnet. São Aban trabalhou com ela na fundação de um convento ali e colocou-a como sua abadessa. São Aban também está associado com abelhas.
     A sabedoria celta tinha as abelhas em alta estima, acreditando que a alma deixava o corpo como uma abelha ou uma borboleta. A Santa dirigiu um convento e dedicou seus dias a ajudar os doentes. É dito que Gobnait adicionou a apicultura aos seus trabalhos, desenvolvendo uma afinidade com as abelhas ao longo da vida.  Tem sido especulado que ela usou o mel como um auxiliar de cura. Acredita-se que ela salvou os moradores de Ballyvourney da praga. Há uma história que narra como ela expulsou um bandido mandando um enxame de abelhas atrás dele, fazendo-o devolver o gado que havia roubado.
     O mel, a cera, o pólen e outros benefícios das abelhas eram considerados tão importantes que no século VII alguém escreveu as antigas leis chamadas Bechbretha, que se traduz em "julgamentos de abelhas". Essas leis incluíam seis termos diferentes para os tipos de enxames de abelhas, as maneiras adequadas de decidir a posse de um enxame de abelhas, como punir o roubo de colmeia ou mel, a caridade com que um apicultor deve oferecer mel aos seus vizinhos e a invasão das abelhas.
     Enquanto seu foco era o trabalho pastoral, cuidar de suas colmeias, curar os doentes e dirigir uma comunidade religiosa feminina, Santa Gobnat não era apenas uma freira plácida: as escavações feitas na igreja em Ballyvourney produziu evidências consideráveis ​​de trabalho em metal e fundição. Por isso ela era originalmente a patrona dos trabalhadores do ferro.
     O poço de Santa Gobnat (também conhecido como poço de Santa Debora ou de Abigail) está situado no Norte de Ballyagran, em um campo alto à esquerda da estrada para Castletown. Havia um padrão no local até 1870. O poço já secou, mas o local ainda é conhecido. Dizem que às vezes um veado branco pode ser visto no poço.
      Em 1601, o Papa Clemente VIII concedeu uma indulgência especial àqueles que, no dia de Santa Gobnat, visitassem a igreja paroquial, confessassem e comungassem, pedindo a paz entre os "príncipes cristãos", a expulsão da heresia e a exaltação da Santa Igreja.
     A santa ainda é venerada localmente e está entre um grupo de santos irlandeses cujo dia da festa recebeu reconhecimento nacional e não apenas local. Os principais centros de devoção a Gobnat são: um oratório medieval em Inis Oírr (Ilhas Aran) chamado Cill Ghobnait; Dún Chaoin em West Kerry e Balleyvourney, perto da fronteira Cork / Kerry. Ela é retratada em um vitral na Capela Honan em Cork feito pelo artista Harry Clarke em 1916.
     Santa Gobnat é a padroeira das abelhas e dos apicultores, e 11 de fevereiro é o dia da sua festa.
 
Detalhe do poço de Santa Gobnat
Fontes:

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Beata Josefina Gabriela Bonino, Virgem e fundadora – 8 de fevereiro

Martirológico romano: Em Savigliano, no Piemonte, a beata Josefina Gabriela Bonino, virgem, fundadora da Congregação da Sagrada Família de Nazaré para a educação de órfãos e assistência aos doentes pobres.

     A vocação religiosa da Beata Josefina Gabriela Bonino foi uma feliz combinação da oração contemplativa e do compromisso ativo na vinha do Senhor, entre as pessoas e para as pessoas.
     Ela nasceu em Savigliano (Cuneo), diocese de Turim, em 5 de setembro de 1843, em uma família rica e profundamente religiosa. Na fonte batismal recebeu os nomes de Ana Maria Madalena Josefina. Como costume na época, ela teve uma primeira educação em casa. Por um privilégio especial, ela fez a 1ª. Comunhão aos sete anos; no ano seguinte recebeu a Crisma. Desde pequena foi muito devota de Nossa Senhora.
     Em 1855, ela se mudou com sua família para Turim por causa dos compromissos profissionais de seu pai, que era médico. Ela frequentou o ensino médio nas Irmãs de São José, crescendo em sua vida interior; aos dezoito anos obteve permissão do seu diretor espiritual para fazer um voto temporário de virgindade. Na capital da Saboia, naqueles anos floresciam as extraordinárias obras dos chamados "santos sociais".
     Aos 26 anos, ela voltou para Savigliano. Por cinco anos ajudou amorosamente seu pai doente, até sua morte. Enquanto isso, ela trabalhava cada vez mais nas atividades de sua paróquia de São Pedro, tornando-se também reitora e presidente da Pia União das Filhas de Maria local. A partir de 1875, estreitou fortes laços com o trabalho de assistência realizado por Joana Colombo para as órfãs da cidade, trabalho que era criticado pela “gente bem” da sua terra natal.
     Atraída pela espiritualidade carmelita, ela ingressou na Ordem Terceira, fazendo a profissão dois anos depois (19 de março de 1877, festa de São José). No ano anterior, também se juntou à Ordem Terceira Franciscana da Penitência.
     Atingida por uma neoplasia na coluna vertebral, em 21 de maio de 1876 submeteu-se a uma dolorosa cirurgia sem que produzisse efeito a anestesia aplicada. Sua cura foi considerada uma proteção celestial de Maria e, em setembro de 1877, Josefina foi a Lourdes com sua mãe para agradecer à Santíssima Virgem. Ali amadureceu a decisão definitiva de consagrar-se ao Senhor no serviço do próximo. No final desse ano, sua mãe também morreu. Ela continuou sua colaboração na Obra Colombo e, por sugestão de seu diretor espiritual, o Cônego Luís Davicino, acrescentou a ela um hospital e dedicou-o à Sagrada Família
     Em 1880, ela se retirou em um mosteiro para se preparar espiritualmente para sua fundação, primeiro entre as Carmelitas de Moncalieri, depois nas Visitandinas de Pinerolo. Embora ela ainda sentisse o desejo de entrar em uma clausura, ela decidiu dar vida a uma nova família religiosa para ajudar os necessitados, sejam eles órfãos, idosos, doentes ou meninas a serem instruídas. O modelo era a Sagrada Família de Nazaré: humilde e trabalhadora.
     Com a idade de trinta e oito ela foi eleita Superiora e permaneceu no cargo até sua morte. Em 8 de setembro de 1887, festa da Natividade de Maria, obteve a aprovação canônica diocesana do Instituto, e em 6 de outubro, com onze outras companheiras, fez a profissão solene com o nome de Irmã Josefina Gabriela de Jesus.
     Nos anos seguintes, empregou todas as suas energias e a herança herdada de seus pais na construção da Casa Mãe em Savigliano, com uma igreja adjacente, e na formação das Irmãs. Ela fundou outras cinco comunidades e em homenagem a Nossa Senhora queria que a primeira fosse próxima do Santuário de Loreto. Por 25 vezes se hospedou ali visitando diariamente a Santa Casa de Loreto.
   Ela faleceu em Savona, aos 62 anos, devido a uma pneumonia fulminante, em 8 de fevereiro de 1906. Seu corpo foi enterrado no cemitério de Savigliano, para depois ser transferido para a igreja da Casa Mãe em 8 de abril de 1961.
     Hoje sua obra, além da Itália, pela ação de suas Irmãs vive também em terras missionárias (Camarões e Brasil). Madre Josefina Gabriela foi beatificada por João Paulo II em 7 de maio de 1995. A Arquidiocese de Turim celebra sua memória opcional em 8 de fevereiro.



Fontes: www.santiebeati.it/ 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Beata Francisca Mézière, Virgem e mártir - 5 de fevereiro

Martirológio Romano: Em Laval, na França, Beata Francisca Mézière, virgem e mártir, que, dedicada a educar crianças e a tratar de doentes, durante a Revolução Francesa foi morta por ódio à fé cristã que professava.

     Francisca Mézière nasceu em Mézangers no dia 25 de agosto de 1745 e foi batizada no mesmo dia. Seu pai, René Mézière, excelente cristão, morava na fazenda Maulorière, que pertencia à abadia de Evron. Trabalhador inteligente e consciencioso, soube tirar proveito daquelas terras, e conseguiu elevar seus lucros progressivamente. Era por isto muito estimado pelo padre ecônomo da abadia, que em reconhecimento reconstruiu a casa onde a família habitava e batizava os seus nove filhos.
     Francisca cresceu enfrentando vários lutos. Aos 4 anos perdeu sua mãe, Francisca Rousseau. Para cuidar de seus seis filhos, René casou-se novamente no fim de 1749. Sua segunda esposa, Maria Heurtebise, lhe deu mais três filhos e faleceu em 1754. Alguns meses antes ele havia enterrado a irmã mais velha de Francisca. René se casa novamente em 1758.
     Era um período em que se desenvolvia largamente no Bas-Maine a obra dita das “pequenas escolas”. Em Evron, em 1720, havia uma dessas instituições dirigida pelas Irmãs da Chapelle-au-Riboul. Elas dirigiam também uma organização segundo os métodos de São Vicente de Paula que, nos anos 1768, 1769, 1770, as tornaram particularmente ativas e prósperas.
     Foi junto à essas Irmãs que Francisca recebeu uma sólida formação religiosa e cultural. Ela quis fazer-se religiosa, mas sem emitir votos, fato que a fez ingressar na chamada “irmãs da escola e da caridade”. Desde jovem se consagrou a trabalhar nas escolas paroquiais. Embora não fosse propriamente religiosa das Irmãs da Caridade, como elas se dedicava à educação e ao cuidado dos doentes na diocese de Laval, e em 1772 foi enviada para Saint-Léger-en-Charnie, para cuidar da escola paroquial e dos doentes, atendendo-os material e espiritualmente.
     Ela visitava os doentes e logo estes notaram que ela era “capaz de cuidar de todo tipo de ferimentos”. Ela também se ocupava na lavagem das roupas da igreja e de preparar os altares. De 1770 a 1789, Francisca viveu os anos mais tranquilos e felizes de sua existência. Durante esses 19 anos, houve dias de luto, de tristeza, mas que afetaram pouco seu estado de alma. 
     Quando a Revolução Francesa iniciou e os dois sacerdotes da paróquia se negaram a prestar o juramento constitucional e tiveram que abandonar a paróquia e exercer seu ministério clandestinamente, Francisca os ajudou em tudo que pode.
     Em 14 de abril de 1791, a República quis impor o juramento de “liberdade e igualdade”, que implicava na negação dos votos religiosos. Como professora da escola, Francisca devia assiná-lo e, como as monjas, se negou, por isso teve que abandonar a escola. Começou então a cuidar dos doentes nas povoações ao redor de Saint-Léger. Uma vez mais, como enfermeira, foi convidada a firmar o juramento em julho de 1792, e novamente se negou a fazê-lo. A partir de então teve que atuar com precaução.
     Quando Laval foi tomada pelo exército contra-revolucionário vendeano, as coisas pareciam que voltariam a seu estado primitivo, mas eles sofreram uma derrota. Na segunda metade do mês de janeiro de 1794, Francisca fica sabendo da presença de pobres soldados errantes e famintos. Após a batalha de Mans, soldados vendeanos penetraram até o bosque de Montecler, próximo ao povoado de Saint-Léger.
     A corajosa católica acolheu sete em uma primeira cabana e dois em outra. Um desses últimos estava ferido; ela cuidou das suas chagas e a todos alimentou. Mas os dois pobres refugiados da segunda cabana foram descobertos e levados para Evron no dia 2 de fevereiro. Por sua vez, descoberta, Francisca foi detida em Baillée na noite de 4 para 5 de fevereiro e conduzida à Evron.
     Pelas 10 h, em uma charrete cercada de guardas a cavalo, os três prisioneiros partem para Laval: deviam comparecer diante do tribunal da famosa comissão Clemente. Francisca se negou a prestar juramento ao chamado “liberdade-igualdade”, foi acusada de ajudar os fugitivos vendeanos e de negar ajuda aos soldados da República, e de insultar a esta. Foi condenada à morte pela comissão militar revolucionária do departamento de Mayenne, junto com quatro pessoas que lhe eram completamente estranhas; foi guilhotinada no dia 5 de fevereiro de 1794
     O texto do juiz de Laval que a condenou à morte, a chamou "Víbora da raça sacerdotal". Ouvindo isto, Francisca não dissimulou sua alegria escutando a sentença capital. Ela fez uma reverência aos seus juízes e agradeceu o fato de propiciarem a ela a alegria de ir ver Deus no céu. Diante disto, um dos miseráveis juízes replicou com esta ignóbil blasfêmia: “Já que vais ver teu bom Deus, apresente-lhe minhas felicitações!”.
     É com tal dignidade que morrem os verdadeiros mártires.    
     O Papa Pio XII beatificou Francisca Mézière com os 14 mártires de Laval em 19 de junho de 1955, ao mesmo tempo que um pároco e três religiosas igualmente guilhotinados em 1794.

Mgr E. Cesbron, "I Martiri di Laval",