sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Beata Dolores Broseta Bonet, Leiga mártir de 1936 – 9 de dezembro

Martirológio Romano: Na Comunidade Valenciana, Espanha, Beatas Josefa Martínez Pérez e 12 religiosas professas da Congregação das Filhas da Caridade de São Vicente de Paula, que junto com Dolores Broseta Bonet, leiga, foram assassinadas por ódio à fé. (1936) 

     Dolores nasceu em Bétera (Valencia, Espanha) em 1892 no seio de uma família de seis filhos. Dois morreram pequenos. Seus pais, Joaquim e Maria, bons cristãos, levavam seus filhos ao Colégio Asilo das Filhas da Caridade a partir dos três anos. Dolores era a mais nova dos irmãos que chegaram a idade adulta.
     Aos 16 anos terminou sua formação no colégio e se dedica a ajudar as Irmãs, sem descuidar de sua mãe idosa, pois seus três irmãos viviam fora de Bétera. Dolores participou da Associação das Filhas de Maria da Medalha Milagrosa, e nela cultivou a imitação da Santíssima Virgem na oração e no atendimento aos pobres.
     Aos 21 anos decidiu se tornar Filha da Caridade. Foi ao Hospital de Valencia para realizar a prova, mas por sofrer de frequentes hemorragias não pode ingressar no instituto, razão pela qual passou a cuidar e a ensinar crianças.
      Quando em 1925 sua mãe falece, ela se passou a viver no convento, ajudando as monjas como leiga.
Fiel colaboradora
     Apesar de sua saúde delicada, Dolores ajudava a comunidade de todas as maneiras que lhe era possível. Colaborava com as Irmãs na classe dos pequenos e na oficina de bordados. Segundo quem a conheceu, era uma mulher muito generosa e boa.
     Em 21 de junho de 1936 as religiosas foram expulsas do convento e Dolores se refugiou na casa de seus irmãos.
     As monjas encontraram hospitalidade em um local do povoado, mas no início de agosto o comitê comunista obrigou-as a abandonar Bétera. A pequena comunidade de cinco religiosas transferiu-se para uma pousada em Valencia, e Dolores cuidava para que não faltasse nada a elas. Percorria as ruas buscando provisões para as religiosas. Ia seguidamente para Bétera e faz chegar às Irmãs os víveres recolhidos entre os habitantes da cidade, que sentiam carinho e estima pelas religiosas.
     Um ex-alcaide ameaçou Dolores para que lhe dissesse o lugar onde estavam refugiadas as Irmãs. Ela chorou muito, mas não disse nada. Este homem e outro de Moncada, seguiram Dolores numa das viagens que fez e viram onde entrava, localizaram as Irmãs e as levaram prisioneiras a Checa localizada no Seminário diocesano de Moncada (Valencia). Levaram com elas também Dolores.
     No dia 9 de dezembro, a uma da madrugada, foram levadas ao “Picadero de Paterna”, onde normalmente eram assassinados os sacerdotes e as religiosas. Ali foram fuziladas junto a outros trinta ou quarenta católicos. Foram beatificadas em 13 de outubro de 2013.
A Beata Dolores e as Beatas religiosas beatificadas



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Festa da Imaculada Conceição de Maria – 8 de dezembro


   Em sua Constituição Apostólica Ineffabilis Deus (8 de dezembro de 1854), que definiu oficialmente a Imaculada Conceição como dogma, o Papa Pio IX recorreu principalmente para a afirmação de Gênesis 3:15, onde Deus disse: "Eu porei inimizades entre ti e a mulher, entre sua descendência e a dela", assim, segundo esta profecia, seria necessário uma mulher sem pecado para dar à luz o Cristo, que reconciliaria o homem com Deus.
     O verso "Tu és toda formosa, não há mancha em ti" (na Vulgata: "Tota pulchra es, amica mea, et macula non est in te"), no Cântico dos Cânticos (4,7) é usado para defender a Imaculada Conceição.
     Outros versos incluem:
     "Também farão uma arca de madeira incorruptível; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio, e de um côvado e meio a sua altura". (Êxodo 25:10-11)
     "Pode o puro [Jesus] vir dum ser impuro? Jamais!"(Jó 14:4)
     "Assim, fiz uma arca de madeira incorruptível, e alisei duas tábuas de pedra, como as primeiras; e subi ao monte com as duas tábuas na minha mão". (Deuteronômio 10:3)
     Outras traduções para a palavras incorruptível ("setim" em hebraico) incluem "acácia", "indestrutível" e "duro" para descrever a madeira utilizada. Noé usou essa madeira porque era considerada muito durável e "incorruptível". Maria é considerada a Arca da Nova da Aliança (Apocalipse 11:19) e, portanto, a Nova Arca seria igualmente "incorruptível" ou "imaculada".
História
     Desde o Cristianismo primitivo diversos Padres da Igreja defenderam a Imaculada Conceição da Virgem Maria, tanto no Oriente como no Ocidente. No século IV, Santo Efrém da Síria (306-373), diácono, teólogo e compositor de hinos, propunha que só Jesus Cristo e Maria são limpos e puros de toda a mancha do pecado.
     Já no século VIII se celebrava a festa litúrgica da Conceição de Maria aos 8 de dezembro ou nove meses antes da festa de sua natividade, comemorada no dia 8 de setembro. No século X, a Grã-Bretanha celebrava a Imaculada Conceição de Maria.
     A festa da Imaculada Conceição de 8 de dezembro foi definida em 28 de fevereiro de 1476 pelo Papa Sisto IV. A existência da festa é um forte indício da crença da Igreja sobre a Imaculada Conceição mesmo antes da sua definição do século XIX como um dogma.
     Em 1497, a Universidade de Paris decretou que ninguém poderia ser admitido na instituição se não defendesse a Imaculada Concepção de Maria, exemplo que foi seguido por outras universidades como a de Coimbra e de Évora.
     Em 1617, o Papa Paulo V proibiu que se afirmasse que Maria tivesse nascido com o pecado original, e em 1622 Gregório V impôs silêncio absoluto aos que se opunham à doutrina. Foi em 8 de dezembro de 1661 que Alexandre VII promulgou a Constituição apostólica Sollicitudo omnium Ecclesiarum em que definia o sentido da palavra conceptio, proibindo qualquer discussão sobre o assunto.
     Na Itália do século XV, o franciscano Bernardino de Bustis escreveu o Ofício da Imaculada Conceição, com aprovação oficial do texto pelo Papa Inocêncio XI em 1678. Foi enriquecido pelo Papa Pio IX em 31 de março de 1876, após a definição do dogma, com 300 dias de indulgência cada vez que recitado.
Visão de Santo Tomás de Aquino
     Teólogos e Doutores da Igreja, como Santo Anselmo, São Bernardo e São Boaventura, chegaram a negar a Imaculada Conceição.
     Sobre Santo Tomás de Aquino criou-se um consenso de que ele teria, durante toda a sua vida, negado e repudiado completamente o dogma da Imaculada Conceição. Tal consenso é falso, porque, inicialmente, este doutor da Igreja declarou abertamente que a Virgem foi pela graça imunizada contra o pecado original, defendendo claramente o dogma do privilégio mariano, que seria declarado e definido séculos mais tarde. No livro primeiro dos comentários dos livros das Sentenças (Sent.), escrito provavelmente em 1252 e quando Santo Tomás contava apenas 27 anos de idade, ainda no início de sua atividade acadêmica em Paris, ele escreveu o seguinte:
     "Ao terceiro, respondo dizendo que se consegue a pureza pelo afastamento do contrário: por isso, pode haver alguma criatura que, entre as realidades criadas, nenhum seja mais pura do que ela, se não houver nela nenhum contágio do pecado; e tal foi a pureza da Virgem Santa, que foi imune do pecado original e do atual". (I Sent., d. 44, q. 1, a. 3)
     Depois, Santo Tomás adotou uma postura confusa sobre o dogma da Imaculada Conceição, presente em trechos do Compêndio de Teologia e da Suma Teológica.
     Mas, no final da sua vida, Santo Tomás retornou à sua tese original favorável ao dogma mariano. A sua defesa encontra-se no texto Expositio super Salutatione angelicae, sermão de um período em que ele já contava 48 anos de idade, provavelmente do ano de 1273: Ipsa enim purissima fuit et quantum ad culpam, quia ipsa virgo nec originale, nec mortale nec veniale peccatum incurrit. ["Ela é, pois, puríssima também quanto à culpa, pois nunca incorreu em nenhum pecado, nem original, nem mortal ou venial".]
     Este retorno à tese original encontra-se também em várias obras da época final de São Tomás, como, por exemplo, na Postiila Super Psalmos de 1273, onde se lê, no comentário do Salmo 16, 2: "Em Cristo a Bem-Aventurada Virgem Maria não incorreu absolutamente em nenhuma mancha” ou no Salmo 18, 6: “Que não teve nenhuma obscuridade de pecado".
Lourdes
     Em 1858, Santa Bernadete Soubirou foi agraciada com uma aparição que se autodenominou "Imaculada Conceição" na localidade de Lourdes, na Diocese de Tarbes, na França. O caso foi submetido às autoridades civis locais e eclesiásticas, após o que o bispo de Tarbes deu por confirmadas as aparições como sendo da Virgem Maria. As autoridades civis francesas se viram impotentes para impedir a devoção de milhares de peregrinos na época. Atualmente, Lourdes se transformou num lugar de peregrinação internacional de milhões de católicos devotos da Virgem Maria.
 
Foto inédita de Sta. Bernadete na gruta das Aparições

https://pt.wikipedia.org/wiki/Imaculada_Concei%C3%A7%C3%A3o (excertos)

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Beata Aurélia (Clementina) Arambarri Fuente, Religiosa e mártir – 6 de dezembro

Martirológio Romano: Em Madrid, Espanha, Beata Aurélia (no século Clementina Arambarri Fuente) e 3 companheiras, religiosas professas das Servas de Maria Ministras dos Enfermos, assassinadas por ódio à fé. ( + 1936)

     A Beata Aurélia nasceu em Vitória, Álava, no dia 23 de outubro de 1866 e foi batizada no mesmo dia na paroquia de Santa Maria da Vitória, recebendo o nome de Clementina. Seus pais, católicos fervorosos, educaram cristã e piedosamente sua filha.
     Com 20 anos ingressou no Instituto das Servas de Maria, no dia 23 de agosto de 1866, na Casa Mãe. Conheceu a Fundadora, Santa Maria Soledade, sendo ela quem a admitiu e de cujas mãos recebeu o santo hábito, no dia 14 de novembro de 1866. Fez sua profissão temporária em 18 de dezembro de 1887, sendo destinada a Porto Rico, onde emitiu a profissão perpétua em 18 de dezembro de 1894.
     Aos 38 anos de idade foi nomeada Superiora da comunidade de Guanajuato (México), cargo que exerceu com grande caridade e solicitude até o ano de 1909, quando foi transferida para a comunidade de Durango e Puebla (México), onde vivenciou a terrível revolução mexicana.
     Transferida para a Espanha em agosto de 1916, confiaram a ela o cargo de Superiora em Mataró, Alcoy, Sarriá e Barbastro, demonstrando sempre o mesmo zelo e interesse pelas Irmãs em seu governo.
     Em outubro de 1929, ao ser erigida a Província de Madrid, foi transferida para a mesma como Conselheira Provincial e Superiora de Pozuelo de Alarcón, até que em 1934, vendo que suas forças naturais não lhe permitiam continuar em cargo tão delicado, foi transferida, com grande pesar por parte dos Superiores, para a enfermaria de Madrid, sendo modelo de virtudes para aqueles que dela cuidavam e aos que a visitavam.
     No ano 1936, diante do grande perigo que corriam as anciãs em Madrid, foi resolvido que Madre Aurélia seria transferida para a casa de Pozuelo de Alarcón, para que tivesse mais tranquilidade, embora os planos de Deus tenham sido diferentes.
     Tanto na calma como na adversidade o lema de Madre Aurélia era: “De Deus somos, Ele não permitirá que nos aconteça algo de ruim”.
     Em julho de 1936 a guerra civil espanhola foi declarada, a casa das religiosas foi invadida e as Irmãs tiveram que se dispersar entre as famílias conhecidas, ficando submetidas a uma rigorosa vigilância e sem comunicação umas com as outras. Madre Aurélia com outras três Irmãs foi reconhecida como religiosa e sem negar em nenhum momento sua condição de consagrada a Deus, foi escolhida para o martírio.
     É muito provável que Madre Aurélia tenha morrido na noite de 6 a 7 de dezembro de 1936 em Aravaca, Madrid. Madre Aurélia foi beatificada em 13 de outubro de 2013.

Fonte: SiervasDeMariaCastilla.com 

A Beata Aurélia e suas companheiras de martírio



sábado, 3 de dezembro de 2016

Sta. Hilária, seu esposo Cláudio, e os filhos Jasão e Mauro, Mártires em Roma – 3 de dezembro

Crisanto e Daria foram denunciados ao magistrado romano Cláudio como seguidores do Cristianismo. Testemunhando como Crisanto e Daria suportavam os cruéis suplícios, e os milagres que operavam, Cláudio também se converteu ao Cristianismo com sua esposa Hilária e seus filhos Jasão e Mauro. Por ordem do imperador, Cláudio foi afogado com uma pedra atada ao pescoço, e os filhos foram decapitados. Crisanto e Daria, depois de sofrerem horríveis suplícios, foram enterrados vivos.

     O grupo de mártires ao qual pertence Hilária consiste de quatro santos, Cláudio, Hilária, Jasão e Mauro, são celebrados pelo Martirológio Romano em 3 de dezembro.
     A notícia do martírio vem do Martirológio de Adônis, que tirou-a da Passio dos Santos Crisanto e Daria.
     De acordo com esta Passio, Cláudio era um oficial do exército que enquanto interrogava os mártires Crisanto e Daria, à vista de um milagre operado por eles se converteu ao Cristianismo juntamente com sua esposa Hilária, os filhos Jasão e Mauro, e 70 soldados.
     Informado do ocorrido, o imperador Numeriano (283-284) ordenou que Cláudio fosse lançado no mar com uma pedra no pescoço, enquanto os seus dois filhos, Jasão e Mauro, com 70 soldados, foram decapitados.
     Alquebrada pela dor, Hilária não conseguiu recuperar o corpo de seu marido, agora perdido no mar, e foi presa quando se preparava para enterrar os corpos de seus filhos. Antes de ser morta, ela pede para rezar; durante a oração foi martirizada.
     Mais tarde os cristãos de Roma reuniram-se em uma caverna próxima ao lugar do martírio para homenageá-los; os pagãos, ao saberem disso, obstruíram a entrada da caverna e todos os que estavam lá dentro morreram de fome. Dentre os que morreram nomeiam-se o presbítero Deodoro e o diácono Mariano.
     O túmulo de Hilária, Jasão e Mauro existia no século VII na Via Salaria, também mencionado nos itinerários da época, o de Mauro tinha sido ornado com um poema do Papa São Dâmaso.

     Estas poucas notas forçosamente falam apenas sobre o final sangrento, mas brilhante, de uma família cristã na era das perseguições romanas, não sabendo de sua vida na sociedade imperial.

Martírio dos Santos Mauro e Jasão

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Beata Maria Clara do Menino Jesus, Virgem e Fundadora – 1º de dezembro


«Maria Clara, um rosto da ternura e da misericórdia de Deus»

     No dia 15 de junho de 1843, na Amadora, perto de Lisboa, no seio de uma família de origem nobre, nasceu uma menina a que foi dado o nome de Libânia do Carmo Galvão Mexia de Moura Telles e Albuquerque. Órfã aos 14 anos, foi acolhida no Asilo Real da Ajuda, no qual recebeu, desde logo, uma formação humana e espiritual condizente com a sua posição social. Em 1862, deixou a referida instituição e foi acolhida como dama de companhia na família dos Marqueses de Valada, seus parentes.
     Em 1867, intuindo no seu íntimo o chamamento do Senhor para a vida religiosa, transferiu-se para o pensionato de São Patrício, em Lisboa, junto às Terceiras Capuchinhas de Nossa Senhora da Conceição e em 1869, vestiu o hábito de terceira e assumiu o nome de Maria Clara do Menino Jesus.
     Para poder superar alguns obstáculos postos pelas leis portu­guesas, que proibiam qualquer forma de vida religiosa, a Irmã Maria Clara do Menino Jesus foi enviada, pelo orientador espiritual da Fraternidade das Capuchinhas, Padre Raimundo dos Anjos Beirão, à Fran­ça, onde no Mosteiro das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras e Mestras de Calais, fez o noviciado e, em 14 de abril de 1871, emitiu os votos.
     Logo após o seu regresso a Portugal, a Irmã Maria Clara foi no­meada Superiora do Convento de São Patrício e, sob a segura orientação do Padre Raimundo Beirão, iniciou um processo de reforma da comunidade das Capuchinhas, transformando­-a no berço das Irmãs Hospitaleiras Portuguesas, com o nome de Irmãs Hospitaleiras dos Pobres pelo Amor de Deus. Em 1874, esta instituição foi reconhecida pelo governo português, como Associação de Beneficência e, em 27 de março de 1876, obteve a plena aprovação do Papa Pio IX.
     A Congregação nascente teve, desde o início, um grande florescimento de vocações e de obras, mas, ao mesmo tempo, foi alvo de muitas calúnias e oposições. Apesar das muitas dificuldades, Madre Clara continuou serenamente a sua obra de apostolado, repetindo muitas vezes que “Nada acon­tece no mundo sem a permissão de Deus”. Na verdade, ela permaneceu sempre totalmente fiel ao Senhor e à sua vontade, dedicando-se por inteiro ao crescimento espiritual das suas irmãs e à realização de muitas obras de apostolado para bem de todas as almas.
     Ao longo de 28 anos, presidindo aos destinos da Congregação, recebeu cerca de 1000 irmãs e com elas tornou-se, podemos dize-lo com toda a segurança, pioneira da ação social em Portugal, fundando mais de 142 obras, distribuídas por hospitais, enfermagem ao domicílio, creches, escolas, colégios, assistência a crianças e idosos, cozinhas econômicas, entre outras. Nestas instituições o pobre, o doente, o desvalido de toda a sorte, puderam conhecer o amor e os cuidados de mulheres dedicadas inteiramente ao serviço dos mais necessitados, experimentando assim a ternura e a misericórdia de Deus.
     A exortação frequente: “Trabalhemos com amor e por amor” era a síntese do seu viver. Só a caridade a norteava. Toda a sua vida foi um gastar-se no labor contínuo de “fazer o bem, onde houver o bem a fazer", lema de ação do Instituto por ela fundado. Esta mesma ação foi estendida, progressivamente, a Angola, Goa, Guiné e Cabo Verde.
     A Irmã Maria Clara do Menino Jesus faleceu no Convento das Trinas, em Lisboa, no dia 1º de dezembro de 1899, com 56 anos, vítima de doença cardíaca, asma e lesão pulmonar. Foi sepultada três dias depois, no cemitério dos Prazeres, acompanhada de enorme multidão de fiéis que reconheciam a sua santidade.
     Sepultada no Cemitério dos Prazeres, foi trasladada, em 1954, para o Convento de Santo Antônio, em Caminha, e repousa, a partir de 1988, na cripta da Capela da Casa-Mãe da Congregação, em Linda-a-Pastora, Queijas, Patriarcado de Lisboa, onde acorrem inúmeros devotos a implorar a sua intercessão junto de Deus.
     21 de maio de 2011 foi o dia escolhido pela Sé Apostólica para a beatificação de Maria Clara do Menino Jesus, em Lisboa, cidade onde morreu a nova beata. A Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, foi fundada pela Irmã Maria Clara do Menino Jesus e pelo Padre Raimundo dos Anjos Beirão.
     A Irmã Maria Clara do Menino Jesus fez da sua vida um verdadeiro “lava-pés”, no serviço aos irmãos mais necessitados, norteada pela sua forte adesão a Jesus, seu Mestre e Guia. Só uma alma de fé poderia levar a cabo tão grande empreitada de amor. Eis algumas das suas máximas que nos sintetizam a sua grande fé e que por certo são o segredo da sua obra:
“Trabalhemos com fervor e verdadeiro espírito de fé, essa fé que opera prodígios!”
“É necessários sermos generosas para com Deus que tão generoso tem sido para conosco”.
“Trabalhando, amando e esperando, teremos correspondido à vocação a que Deus nos chamou”.
“Todo o tempo que por Deus não é ocupado, é perdido para a eternidade”.
“Trabalhemos unicamente para testemunhar ao bom Deus o nosso reconhecimento pelo muito que nos deu!”
“Recebei tudo como vindo das mãos do Senhor que tudo permite para nosso bem”.
“A paz é o verdadeiro prémio dos que servem bem ao Senhor”.
“Amemos a Quem tanto nos tem amado e continuamente nos está fazendo bem”.
“O Sol da Justiça pode eclipsar-se por um momento, mas é para depois reaparecer com mais esplendor”.
“A pessoa humilde atrai sobre si as graças do céu”.
“Um olhar providencial de Deus vela por nós”.


Fonte: (excertos) Pe. Marco Martinho - Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus Milagroso - Pico, 9 de abril de 2011

Santa Firmina de Amelia, Mártir


Martirológio Romano: Em Amelia, cidade da Úmbria, Santa Firmina, mártir (303).

Etimologia: Firmina = do latim Firminus, diminutivo derivado de Firmus: “firme, sólido, seguro, constante”, de origem cristã: “firme na Fé”.

     Firmina foi uma mártir no século III. Quando há falta de muitos dados históricos existem muitas legendas sobre a vida de alguns santos.
     Segundo narrações tradicionais, Firmina era romana e viveu no século III. Nasceu no seio de uma família chamada Pisoni. Seu pai era o prefeito Calpurnio em Roma e sua mãe uma cristã cheia de amor de Deus e ao próximo.
     A jovem teria 16 anos quando a perseguição se desencadeou em Roma. Vendo o perigo que se avizinhava, saiu da cidade, mas antes vendeu todos os seus bens com alegria e desprendimento e entregou o valor aos pobres.
     Para chegar a nova região da Úmbria italiana, teve que embarcar em uma nave no Tibre de Civitavecchia.
     Como viu muitas necessidades entre os cristãos que eram dura e cruelmente perseguidos, ficou com eles para ajudá-los em tudo aquilo que fosse necessário.
     Quanto chegou a Amelia dedicou-se a uma vida de oração e penitência. Sua tranquilidade durou pouco tempo. Descoberta pelas autoridades, levaram-na aos tribunais e julgada foi condenada à morte.
     Segundo outra passio, um “consularis” de nome Olimpiada havia tentado seduzi-la, mas foi ela que o conduziu a fé cristã. Tal conversão custou a ele o martírio. Firmina sepultou o amigo num local próximo de Amelia em 1º de dezembro. Ainda segundo esta passio, ela também veio a sofrer o martírio e foi sepultada no mesmo local onde fora enterrado Olimpiada. A semente de seu testemunho teve ainda um outro fruto. Vinte dias após a morte de Firmina, o seu carrasco, Ursicinus, se converteu, foi a Ravena, onde foi batizado pelo Padre Valentino e foi martirizado no dia 13 de dezembro.
     Um documento recente, supõe que Firmina tenha sido sepultada em Civitavecchia em 20 de dezembro.
     Muitos milagres lhe foram atribuídos, um deles durante a travessia marítima a Centumcellae (Civitavecchia na atualidade) quando uma violenta tormenta repentina se acalmou por sua intervenção milagrosa.
     Acredita-se que Firmina viveu um tempo em uma gruta próxima do porto sobre a qual foi construído posteriormente o forte Anjo Miguel.
Culto

     O enterro de Firmina em Jacksonville, EUA, é celebrado em 24 de novembro; em Civitavecchia seu enterro se celebra em 20 de dezembro. Seu emblema é uma folha de palmeira. A procissão em sua honra em Civitavecchia acontece naquela data: sua imagem é levada até o porto e colocada a bordo de um barco que a leva ao local do antigo farol, enquanto que os outros navios e barcos de pesca fazem soar suas buzinas como celebração.
     Sua memória é celebrada a 24 de novembro no Martirológio Romano.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Santa Matilde de Hackeborn - 29 de novembro

   

     Hoje gostaria de vos falar de Santa Matilde de Hackeborn, uma das grandes figuras do mosteiro de Helfta, que viveu no século XIII. A sua irmã de hábito, Santa Gertrudes a Grande, no livro VI da obra Liber specialis gratiae (O livro da graça especial), em que são narradas as graças especiais que Deus concedeu a Santa Matilde, afirma assim: «O que escrevemos é muito pouco em comparação com o que omitimos. Publicamos estas coisas só para a glória de Deus e a utilidade do próximo, porque nos pareceria injusto manter o silêncio sobre as numerosas graças que Matilde recebeu de Deus, não tanto para si mesma, na nossa opinião, mas para nós e para aqueles que vierem depois de nós» (Mechthild von Hackeborn, Liber specialis gratiae , VI, 1).
     Esta obra foi redigida por Santa Gertrudes e por outra irmã de hábito de Helfta, e contém uma história singular. Matilde, com cinquenta anos de idade, atravessava uma grave crise espiritual, unida a sofrimentos físicos. Nesta condição, confiou as duas irmãs de hábito amigas, as graças especiais com que Deus a tinha guiado desde a infância, mas não sabia que elas anotavam tudo. Quando o veio a saber, ficou profundamente angustiada e perturbada. Porém, o Senhor tranquilizou-a, fazendo-lhe compreender que quanto estava a ser escrito era para a glória de Deus e a vantagem do próximo (cf. ibid., II, 25; V, 20). Assim, esta obra é a fonte principal da qual haurir as informações sobre a vida e a espiritualidade da nossa Santa.
     Com ela, somos introduzidos na família do Barão de Hackeborn, uma das mais nobres, ricas e poderosas da Turíngia, aparentada com o imperador Frederico II, e entramos no mosteiro de Helfta no período mais glorioso da sua história. O Barão já tinha dado ao mosteiro uma filha, Gertrudes de Hackeborn (1231/1232 — 1291/1292), dotada de uma personalidade acentuada, abadessa por quarenta anos, capaz de dar um cunho peculiar à espiritualidade do mosteiro, levando-o a um florescimento extraordinário como centro de mística e de cultura, escola de formação científica e teológica. Gertrudes ofereceu às monjas uma elevada educação intelectual, que lhes permitia cultivar uma espiritualidade fundada na Sagrada Escritura, na Liturgia, na Tradição patrística, na Regra e na espiritualidade cisterciense, com preferência especial por São Bernardo de Claraval e Guilherme de Saint-Thierry. Foi uma verdadeira mestra, exemplar em tudo, na radicalidade evangélica e no zelo apostólico. Desde a infância, Matilde acolheu e saboreou o clima espiritual e cultural criado pela irmã, oferecendo depois a sua contribuição pessoal.
     Matilde nasce em 1241, ou 1242, no castelo de Helfta; é a terceira filha do Barão. Com sete anos de idade visita com a mãe a irmã Gertrudes no mosteiro de Rodersdorf. Fica tão fascinada por aquele ambiente, que deseja ardentemente fazer parte dele. Entra como educanda e, em 1258, torna-se monja no convento que, entretanto, se tinha transferido para Helfta, na quinta dos Hackeborn. Distingue-se por humildade, fervor, amabilidade, pureza e inocência de vida, familiaridade e intensidade com que vive a relação com Deus, a Virgem e os Santos. É dotada de elevadas qualidades naturais e espirituais, como «a ciência, a inteligência, o conhecimento das letras humanas, a voz de uma suavidade maravilhosa: tudo a tornava apta para ser no mosteiro um autêntico tesouro, sob todos os aspectos» (Ibid., Introdução). Assim, «o rouxinol de Deus» — como é chamada — ainda muito jovem, torna-se diretora da escola do mosteiro, diretora do coro, mestra das noviças, serviços que desempenha com talento e zelo incansável, não só em vantagem das monjas, mas de quem quer que desejasse haurir da sua sabedoria e bondade.
     Iluminada pelo dom divino da contemplação mística, Matilde compõe numerosas orações. É mestra de doutrina fiel e de grande humildade, conselheira, consoladora e guia no discernimento: «Ela — lê-se — transmitia a doutrina com tal abundância, que jamais se tinha visto no mosteiro e, infelizmente, tememos que nunca mais se verá algo de semelhante. As religiosas reuniam-se ao seu redor para ouvir a palavra de Deus, como se fosse um pregador. Era o refúgio e a consoladora de todos e, como dom singular de Deus, tinha a graça de revelar livremente os segredos do coração de cada um. Muitas pessoas, não só no Mosteiro, mas também estranhos, religiosos e seculares, vindos de longe, testemunhavam que esta santa virgem os tinha libertado dos seus sofrimentos e que nunca haviam experimentado tanta consolação como nela. Além disso, compôs e ensinou tantas orações que, se fossem reunidas, excederiam o volume de um saltério» (Ibid., VI, 1).
     Em 1261 chegou ao convento uma criança de cinco anos, chamada Gertrudes: é confiada aos cuidados de Matilde, que tem apenas vinte anos, que a educa e guia na vida espiritual, a ponto de fazer dela não só a discípula excelente, mas também a sua confidente. Em 1271, ou 1272, entra no mosteiro também Matilde de Magdeburgo. Assim, o lugar acolhe quatro grandes mulheres — duas Gertrudes e duas Matildes — glória do monaquismo germânico. Na longa vida transcorrida no mosteiro, Matilde é afligida por sofrimentos contínuos e intensos, aos quais se acrescentam as duríssimas penitências escolhidas para a conversão dos pecadores. Deste modo, participa na Paixão do Senhor até ao fim da sua vida (cf. ibid., VI, 2).
     A oração e a contemplação são o húmus vital da sua existência: as revelações, os seus ensinamentos, o seu serviço ao próximo, o seu caminho na fé e no amor encontram aqui a sua raiz e o seu contexto. No primeiro livro da obra Liber specialis gratiae , as redatoras reúnem as confidências de Matilde, cadenciadas nas festas do Senhor, dos Santos e, de modo especial, da Bem-Aventurada Virgem. É impressionante a capacidade que esta Santa tem de viver a Liturgia nos seus vários componentes, mesmo as mais simples, levando-a na vida monástica quotidiana. Algumas imagens, expressões e aplicações às vezes estão longe da nossa sensibilidade, mas, se se consideram a vida monástica e a sua tarefa de mestra e diretora de coro, compreende-se a sua capacidade singular de educadora e formadora, que ajuda as irmãs de hábito a viver intensamente, a partir da Liturgia, cada momento da vida monástica.
     Na oração litúrgica, Matilde dá realce particular às horas canônicas, à celebração da Santa Missa e sobretudo à Sagrada Comunhão. Aqui é com frequência arrebatada em êxtase, numa profunda intimidade com o Senhor, no seu Coração ardentíssimo e dulcíssimo, num diálogo maravilhoso em que pede luzes interiores, enquanto intercede de modo especial pela sua comunidade e pelas suas irmãs de hábito. No centro estão os mistérios de Cristo, aos quais a Virgem Maria se refere constantemente para caminhar pela vida da santidade: «Se tu desejas a verdadeira santidade, está perto do meu Filho; Ele é a própria santidade, que santifica todas as coisas» (Ibid., I, 40). Nesta sua intimidade com Deus estão presentes o mundo inteiro, a Igreja, os benfeitores e os pecadores. Para ela, Céu e terra unem-se.
     As suas visões, os seus ensinamentos e as vicissitudes da sua existência são descritos com expressões que evocam a linguagem litúrgica e bíblica. É assim que se entende o seu profundo conhecimento da Sagrada Escritura, que era o seu pão de cada dia. Recorre a ela continuamente, quer valorizando os textos bíblicos lidos na liturgia, quer haurindo símbolos, termos, paisagens, imagens e personagens. A sua predileção é pelo Evangelho:
     «As palavras do Evangelho eram para ela um alimento maravilhoso e suscitavam no seu coração sentimentos de tanta docilidade, que muitas vezes, pelo entusiasmo, não conseguia terminar a sua leitura... O modo como lia aquelas palavras era tão fervoroso, que em todos suscitava a devoção. Assim também, quando cantava no coro, vivia totalmente absorvida em Deus, transportada por tanto ardor que às vezes manifestava os seus sentimentos com gestos... Outras vezes, como que arrebatada em êxtase, não ouvia quantos a chamavam ou a moviam, e mal conseguia retomar o sentido das coisas exteriores» (Ibid., VI, 1). Numa das visões, é o próprio Jesus quem lhe recomenda o Evangelho: abrindo-lhe a chaga do seu dulcíssimo Coração, diz-lhe: «Considera como é imenso o meu amor: se quiseres conhecê-lo bem, em nenhum lugar o encontrarás expresso mais claramente do que no Evangelho. Ninguém jamais ouviu alguém manifestar sentimentos mais fortes e mais ternos do que estes: Assim como o meu Pai me amou, também Eu vos amei (Joan. XV, 9)» (Ibid., I, 22).
     A oração pessoal e litúrgica, especialmente a Liturgia das Horas e a Santa Missa, estão na raiz da experiência espiritual de Santa Matilde de Hackeborn. Deixando-se guiar pela Sagrada Escritura e alimentar pelo Pão eucarístico, ela percorreu um caminho de união íntima com o Senhor, sempre em plena fidelidade à Igreja. Isto é para nós também um forte convite a intensificar a nossa amizade com o Senhor, sobretudo através da oração quotidiana e a participação atenta, fiel e concreta na Santa Missa. A Liturgia é uma grande escola de espiritualidade.
     A discípula Gertrudes descreve com expressões intensas os últimos momentos da vida de Santa Matilde de Hackeborn, duríssimos, mas iluminados pela presença da Beatíssima Trindade, do Senhor, da Virgem Maria e de todos os Santos, mas inclusive da irmã de sangue, Gertrudes. Quando chegou a hora em que o Senhor quis chamá-la para junto de Si, ela pediu-lhe para poder viver ainda no sofrimento, para a salvação das almas, e Jesus compadeceu-se deste ulterior sinal de amor.
     Matilde tinha 58 anos. Percorreu a última etapa caracterizada por oito anos de graves doenças. A sua obra e a sua fama de santidade difundiram-se amplamente. Quando chegou a sua hora, «o Deus de Majestade... única suavidade da alma que O ama... cantou-lhe: Venite vos, benedicti Patris mei... Vinde, ó vós que sois os benditos do meu Pai, vinde receber o reino... e associou-o à sua glória» (Ibid., VI, 8).
     Santa Matilde de Hackeborn confia-nos ao Sagrado Coração de Jesus e à Virgem Maria. Convida a louvar o Filho com o Coração da Mãe e a louvar Maria com o Coração do Filho: «Saúdo-te, ó Virgem veneradíssima, naquele orvalho dulcíssimo que do Coração da Santíssima Trindade se difundiu em ti; saúdo-te na glória e no júbilo com que agora te alegras eternamente, Tu que por preferência a todas as criaturas da terra e do Céu, foste eleita ainda antes da criação do mundo! Amém» (Ibid., I, 45).


Fonte: https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/audiences/2010/documents/hf_ben-xvi_aud_20100929.html
Santa Matilde instrui Santa Gertrudes