sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Isabel, a Católica, rainha que empreendeu uma cruzada – 26 de novembro


Figura feminina extraordinária a muitos títulos, essa soberana exerceu papel decisivo na História da Espanha e de toda a Cristandade por seu espírito de cruzada contra o poder muçulmano da época

José Maria dos Santos

     Muito foi escrito sobre esta soberana cujo processo de canonização está em andamento. Seguem algumas pinceladas de sua extraordinária existência, ressaltando do seu aspecto guerreiro e espírito de cruzada, o que é possível transmitir num simples artigo.
Filha de João II, Rei de Castela, e sua segunda esposa, nasceu Isabel a 22 de abril de 1451 na pequena cidade de Madrigal. Aquela que seria a última mulher cruzada descendia, tanto pelo lado paterno quanto pelo materno, de dois reis santos e cruzados: São Luís IX, da França, e seu primo São Fernando III, de Castela.
     Falecendo o pai quando sua idade era pouco mais de três anos, foi educada piedosamente pela mãe, juntamente com seu irmão menor Afonso. “Bordava telas e casulas, costurava roupas para os pobres, aprendia a fiar como as mulheres do povo. Tecia sedas, urdia e confeccionava tapetes com assombrosa habilidade”. (1) Aos 11 anos foi levada com Afonso por Henrique IV, seu meio-irmão, para a corte castelhana, considerada então a mais corrompida da Europa.
Na corte castelhana, dois partidos em disputa  
    Na corte castelhana, “a princesinha estudava música, pintura, poesia, costura e gramática. Cada dia passava muito tempo em oração pedindo a Deus que os guardasse, a ela e a Afonso, livres de todo pecado; e especialmente invocava a Bem-aventurada Virgem, São João Evangelista e o apóstolo São Tiago, patrono de Castela”. (2)
     Pela fraqueza dos reis castelhanos, “nesse período [os nobres] tinham chegado ao ponto de despojar completamente o trono de sua autoridade. Aproveitavam-se da incrível imbecilidade de Henrique IV e das escandalosas relações entre Joana de Portugal, sua segunda mulher, e seu favorito Beltran de la Cueva”, (3) a quem atribuíam a paternidade da infanta Joana, por isso cognominada la Beltraneja.
     Com a chegada dos jovens príncipes, formaram-se logo na corte dois partidos: um que defendia a legitimidade destes ao trono, e outro que defendia a da Beltraneja. O primeiro partido tornou-se tão poderoso, que obteve do fraco rei que reconhecesse Afonso e Isabel como seus legítimos herdeiros.
     Falecendo o príncipe Afonso, o partido de Isabel quis aclamá-la rainha no lugar de Henrique IV. “Nessa ocasião, Isabel deu uma das primeiras provas de suas grandes qualidades, recusando a coroa usurpada que lhe era oferecida, e declarando que nunca, enquanto seu irmão vivesse, aceitaria ela o título de rainha”. (4)
     Aos 18 anos, Isabel casou-se secretamente com o herdeiro da coroa de Aragão, o príncipe D. Fernando, para evitar as tratativas que seu irmão fazia para casá-la com outro pretendente.
Assume as rédeas do governo e reconstrói o país
     Isabel assumiu o governo aos 23 anos, à morte de Henrique IV. Com sua energia, e acompanhada de seu marido Fernando, foi obtendo a adesão de cada cidade para sua causa. Mas o Rei de Portugal, Afonso V, querendo assenhorear-se de Castela, entrou no país para casar-se com a Beltraneja, a qual, afirmava ele, era a legítima herdeira do trono. Vários potentados castelhanos tomaram seu partido, aliando-se a ele. A alternativa para Isabel era ceder, ou então guerrear. E ela não cedia num ponto em que julgava estar inteiramente com a razão. Assim, apesar de estar esperando um segundo filho, pôs a cota de malhas e, a cavalo, foi recrutando gente em todas as suas cidades, enquanto Fernando fazia o mesmo em Aragão. Habilíssimo general e grande estrategista, Fernando obteve retumbante vitória sobre o soberano português, consolidando assim Isabel no trono.
     Triste foi a herança que recebeu Isabel de seu fraco e imoral meio-irmão. “As indústrias quebravam, a moeda andava escassa, centenas de cidades desafiavam sua autoridade sob o mando de prefeitos que se criam reis delas, o povo morria de fome e de epidemias. A Igreja necessitava de reforma, o governo existia só de nome, e por todas as partes os camponeses estavam oprimidos por bandos de ladrões”. (5)
     Os jovens soberanos entregaram-se com energia à tarefa de reconstruir o país. Começaram a reprimir severamente os abusos e aplicar a justiça contra quem quer que fosse. Fizeram reviver, para isso, a Santa Irmandade, força de voluntários que servia de polícia local, com jurisdição sobre assassinatos, atos de violência, rapina, atentados a mulheres e desobediência às leis e aos magistrados. Isabel obteve do Papa a instauração da Santa Inquisição em Castela para pôr fim aos abusos, na esfera religiosa, principalmente de cristãos-novos (judeus convertidos), muitos dos quais tinham fé duvidosa e utilizavam a usura para pressionar os cristãos.
     Isabel era muito ciosa de sua autoridade como rainha. Por isso, em 1475 firmou com seu esposo o acordo denominado Concórdia de Segóvia, pelo qual recebeu o título de Rainha e proprietária de Castela, e seu esposo o de rei consorte. “Desde esse momento os esposos formam um bloco impossível de dividir, e com essa firmeza podem fazer frente ao estalido da guerra”. (6)
A cruzada contra os infiéis maometanos
     Um dos maiores empenhos que Isabel teve em seu reinado foi mover a guerra santa contra o invasor muçulmano. Para esse empreendimento, obteve do Papa as mesmas indulgências de Cruzada concedidas aos que iam lutar na Terra Santa, tendo o Sumo Pontífice lhe enviado uma cruz de prata para ir à frente de seus exércitos.
     Nas várias campanhas que encetou, e sobretudo na reconquista de Granada, Isabel arrebatava seus soldados por sua energia sobre-humana, senso do dever e espírito sobrenatural. Estes “criam que ela era uma santa. Como Santa Joana d’Arc, sempre lhes recomendava viver honestamente e falar bem. Não havia nem blasfêmias nem obscenidades no acampamento onde ela se achava, e viam-se curtidos soldados ajoelhar-se para rezar, enquanto se celebrava a missa ao ar livre por ordem da piedosa rainha”. (7)
     A presença da soberana era para os guerreiros como uma garantia de vitória, pois lhes inspirava valor e confiança. Até os mouros admiravam a grande rainha, cantando sua bondade e beleza em suas canções, apesar de a temerem como inimiga.
     Enquanto Fernando, um dos melhores guerreiros de sua época, comandava o exército, a rainha cuidava de toda a retaguarda, como recrutamento de reforços, envio de alimentos e munições, bem como projetava os hospitais — foi ela quem instituiu o primeiro hospital militar da História, e suas enfermeiras precederam as da Cruz Vermelha em mais de trezentos anos. Cavalgava de um lugar a outro, indo mesmo aos acampamentos revestida de leve armadura de aço, para elevar o moral dos soldados. Mas essa rainha guerreira fazia questão de ela mesma costurar a roupa de seu marido, nunca usando o monarca outras senão as confeccionadas pelas hábeis mãos de Isabel ou de suas filhas.
Título glorioso de “Reis Católicos”
     Um fato mostra a têmpera dessa rainha. No cerco de Granada, uma vela mal colocada ateou fogo na tenda ao lado da rainha, e desta propagou-se para todo o acampamento, que foi tomado pelas chamas. Os mouros, das muralhas, cantavam vitória. Mas a enérgica soberana, para mostrar sua determinação de conquistar a cidade, mandou edificar novo acampamento de pedra, surgindo assim uma verdadeira cidade à qual deu o nome de Santa Fé. Foi de lá que partiram as investidas contra Granada, obtendo-se sua capitulação.
O Papa Alexandre VI concedeu ao real casal, por seus serviços em prol da Cristandade, o título de Reis Católicos, em harmonia com o de Rei Cristianíssimo, concedido anteriormente ao monarca francês.
     A política matrimonial que seguiram os Reis Católicos teve como intuito isolar a França, sua grande rival na época. Mas não tiveram felicidade com seus filhos. A primogênita, também chamada Isabel, casou-se com o jovem príncipe português Afonso e, ao enviuvar precocemente, contraiu matrimônio com o seu herdeiro Dom Manuel, o Venturoso. O príncipe João casar-se-ia com Margarida de Áustria, filha do Imperador Maximiliano I, mas morreria jovem. Joana, que entrará para a História como Joana a Louca, contraiu matrimônio com Felipe de Áustria, o Formoso, e tornou-se herdeira do trono que passou para seu filho, o futuro Carlos V. Maria casa-se com seu cunhado, o viúvo Dom Manuel, e Catarina será a desafortunada esposa do lúbrico Henrique VIII, da Inglaterra. 
    “O bom governo dos soberanos católicos levou a prosperidade da Espanha ao seu apogeu e inaugurou a Idade de Ouro do país”. (8)
     Três meses após a conquista de Granada, Isabel assinou uma ordem de expulsão dos judeus de seus territórios; e favoreceu a empresa de Cristóvão Colombo, que descobriria assim a América.
     A morte desta grande rainha foi muito lamentada pelos seus contemporâneos. Um deles deixou este depoimento: “O mundo perdeu seu adorno mais nobre; uma perda que deve chorar não somente a Espanha, que ela já não levará mais no caminho da glória, mas todas as nações da Cristandade, porque ela era o espelho de todas as virtudes, o amparo do inocente e o sabre vingador do culpado. Não conheço ninguém de seu sexo, nos tempos antigos nem nos modernos, que, a meu juízo, possa equiparar-se com esta mulher incomparável”. (9)
A Soberana no leito de morte dita seu testamento (Rosales)

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Notas:
1. Luís Amador Sanchez, Isabel, a Católica, tradução de Mario Donato, Empresa Gráfica O Cruzeiro S. A., Rio de Janeiro, 1945, p. 55.
2. William Thomas Walsh, Isabel de España, tradução castelhana de Alberto de Mestas, Cultura Española, 1938, p. 49.
3. Ramón Ruiz Amado, DO, The Catholic Encyclopedia, Vol. VIII, transcrito por WGKofron, copyright © 1910 de Robert Appleton Company, online edition copyright © 1999 by Kevin Knight. 4. Id. ibid.
5. William Thomas Walsh, op.cit., p. 171.
6. (Site: www.artehistoria.com, Protagonistas de la História, Isabel la Católica.)
7. Walsh, op.cit., p. 160.
8. The Catholic Encyclopedia, online edition.
9. Carta de Pedro Mártir, um dos secretários da rainha, comunicando a morte de Isabel ao Arcebispo Talavera, in William Thomas Walsh, Isabel de España, p. 599.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Beata Maria Cecília Cendoya y Araquistain, virgem e mártir – 23 de novembro

Martirológio Romano: Em Madrid, capital de Espanha, Beata Maria Cecília (Maria Felicidade) Cendoya y Araquistain, virgem, da Ordem da Visitação de Santa Maria, e mártir, que, na grande perseguição, ao ver que suas irmãs haviam sido presas, se entregou espontaneamente na mesma noite aos milicianos, e ao lado delas confirmou o testemunho de sua fé com o supremo sacrifício da vida († 1936).

     A pequena Maria Felicidade fez sua entrada na vida no lar católico de Antônio Cendoya e Isabel Araquistain no dia 10 de janeiro de 1910, em Azpeitia (Guipúzcoa), Navarra. Cresceu feliz ao lado de suas irmãs. Seus pais imprimiram no coração de suas filhas o santo temor de Deus e uma sólida piedade.
     Embora tivesse um temperamento muito vivo, seu amor a Maria Santíssima fez com que pudesse superar seu temperamento para ser religiosa, como desejava. Sua mãe dizia que ela possuía algo diferente das demais, mas quando ela manifestou o desejo de ser religiosa, ela lhe disse: “Você monja, com esse gênio?... Você tem que corrigir esse gênio se quiser ser monja”. E sua mãe dizia que ela mudou desde aquele momento.
     Decidida e alegre, aos 20 anos ingressou no Primeiro Mosteiro da Visitação de Madrid, em 9 de outubro de 1930. Em sua tomada de hábito recebeu o nome de Maria Cecília. Seu temperamento vivo contrastava com seu caráter amável, simples, humilde, abnegado e muito serviçal. “Era o Anjo das pequenas práticas”, costumava dizer as Irmãs.
     Desde o princípio sofreu todas as consequências da perseguição religiosa: distúrbios, queimas de igrejas e conventos, dispersão de sua comunidade, etc. Ela teve muitas oportunidades de voltar para sua família, mas por amor a Jesus e a sua vocação nunca aceitou as propostas e sempre dizia com grande firmeza que por nada neste mundo deixaria o convento.
     Era simples, humilde. Tímida, costumava cantar para Nossa Senhora enquanto trabalhava. Se distinguia por sua fidelidade, espírito de recolhimento e de mortificação, sempre consciente de viver na presença de Deus. Foi a Irmã que mais sofreu; era a mais jovem e estava a pouco tempo no convento, não conhecia ninguém e, como era basca, não sabia bem o castelhano; tudo isto ajudou a ser mais penosa a sua última solidão, porém Deus velava por ela e a cumulou de fortaleza. Quando as Irmãs morreram, confessou sua condição de monja e a fuzilaram três dias depois no cemitério de Vallecas.
     Foi beatificada em 10 de maio de 1998.


Fontes:

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Apresentação de Nossa Senhora no Tempo – 21 de novembro

    
     A memória que a Igreja celebra hoje não encontra fundamentos explícitos nos Evangelhos Canônicos, mas algumas pistas no chamado proto-evangelho de Tiago, livro de Tiago, ou ainda, História do nascimento de Maria. A validade do acontecimento que lembramos possui real alicerce na Tradição que a liga à Dedicação da Igreja de Santa Maria Nova, construída em 543, perto do templo de Jerusalém.
     Os manuscritos não canônicos, contam que Joaquim e Ana, por muito tempo não tinham filhos, até que nasceu Maria, que se dedicou total e livremente a Deus, impelida pelo Espírito Santo, desde sua concepção imaculada. Tanto no Oriente, quanto no Ocidente observamos esta celebração mariana nascendo do meio do povo e com muita sabedoria sendo acolhida pela Liturgia Católica, por isso esta festa aparece no Missal Romano a partir de 1505, onde busca exaltar a Jesus através daquela que muito bem soube isto fazer com a vida, como comenta Santo Agostinho em um dos seus Sermões:
     Acaso não fez a vontade do Pai a Virgem Maria, que creu pela fé, pela fé concebeu, foi escolhida dentre os homens para que dela nos nascesse a salvação; criada por Cristo antes que Cristo nela fosse criado? Fez Maria totalmente a vontade do Pai e por isto mais valeu para ela ser discípula de Cristo do que mãe de Cristo; maior felicidade gozou em ser discípula do que mãe de Cristo. E assim Maria era feliz porque já antes de dar à luz o Mestre, trazia-o na mente”.
  


   A Beata Maria do Divino Coração dedicava devoção especial à festa da Apresentação de Nossa Senhora, de modo que quis que os atos mais importantes da sua vida se realizassem neste dia. Em 21 de novembro de 1888, ela ingressou no Instituto do Bom Pastor em Münster.
     No dia oito de junho de 1899, em Roma, o Santo Padre Leão XIII iniciou com toda pompa o tríduo preparatório para a consagração do mundo ao Sagrado Coração de Jesus. Nesse mesmo dia, expirava na cidade do Porto, após três anos de atrozes sofrimentos, a humilde religiosa que fora o principal instrumento da Divina Providência para tornar realidade esse ato de transcendental importância para a humanidade: a Beata Maria do Divino Coração, da Congregação da Caridade do Bom Pastor.

     Conheça um pouco mais sobre esta magnífica alma neste blog 6 de junho de 2011.

sábado, 18 de novembro de 2017

A Medalha Milagrosa e uma Conversão: a história de Claude Newman

Amanhã se inicia a Novena da Medalha Milagrosa, cuja festa é comemorada no dia 27 de novembro. Para marcar esta que é uma das grandes revelações de Nossa Senhora a partir do século XIX, reproduzimos abaixo um milagre obtido pelo uso da Medalha Milagrosa.

     Claude Newman (1923-1944), um homem negro, com cinco anos foi separado de sua mãe Fioretta e enviado a uma pequena cidade a leste de Vicksburg, Mississippi. Lá, junto com seu irmão mais velho, cresceu com sua avó Ellen Newman.
      Desde a infância Claude teve de tomar parte no trabalho pesado nos campos de algodão, onde trabalhou também Sid Cook, o homem com quem a avó Ellen havia se casado em 1939. Depois de testemunhar o maltrato contínuo e espancamentos que a avó amada sofria do marido, na tarde de 19 de dezembro de 1942, Claude matou Cook com um tiro de uma arma de fogo. Ele tinha 19 anos. Ele tentou fugir, mas depois de algumas semanas foi preso e condenado à morte.
     Em 1943, Claude Newman, estava aguardando a execução em uma prisão do Mississippi. Um dia, Claude notou uma medalha pendurada no pescoço de um companheiro de prisão e perguntou ao jovem o que era. Este respondeu lançando a medalha ao chão com uma maldição e disse: "pegue isso". Ele não sabia que o pingente era uma Medalha Milagrosa. Mesmo não sabendo nada sobre ela, ou o que representava, Claude pegou e pendurou-a no pescoço. Ele não tinha ideia de como esta ação simples mudaria sua vida.
Visões  
   Durante a noite, Claude foi despertado por uma visão brilhante, que mais tarde descreveu como "a mulher mais bela que Deus jamais criou". A visão acalmou o homem assustado e disse: "Se você quiser que eu seja sua Mãe e você meu filho, vá a um sacerdote da Igreja Católica". E desapareceu.
     "Um fantasma, um fantasma!", gritou Claude, clamando por um padre. Na manhã seguinte, o Pe. Robert O'Leary (que mais tarde redigiu a história) foi convocado. Depois de ouvir o relato extraordinário e falar com ele, o padre descobriu que Claude era uma alma muito simples e analfabeta que sabia muito pouco sobre a religião.
     O padre começou a ensinar o jovem sobre o Catolicismo, e logo as aulas de catecismo incluíram outros quatro presos que ficaram profundamente impressionados com a visão de Claude. Várias semanas depois, o padre introduziu o sacramento da Confissão e Claude se disse: "Oh, eu sei sobre isto! A Senhora me disse que quando vamos nos confessar estamos ajoelhados não diante de um sacerdote, mas diante da Cruz de Seu Filho. E quando nos arrependemos verdadeiramente de nossos pecados, e nós confessamos os nossos pecados, o sangue que Ele derramou cai sobre nós e nos liberta de todos os pecados".
     Os outros ficaram surpresos com essa nova revelação. Vendo sua surpresa, Claude pediu desculpas, "Oh, não fiquem bravos, não fiquem com raiva, eu não quis fazer mal".
Revelação
    Assegurando-lhe que ele estava longe de se zangar, Pe. O'Leary perguntou a Claude se ele tinha visto a Senhora novamente. Levando o sacerdote para um canto, o jovem disse: "Ela me disse que se o Sr. duvidasse de mim ou mostrasse hesitação, eu devia lembrá-lo que, deitado em uma vala na Holanda em 1940, o Sr. fez um voto a Ela, que Ela ainda está esperando se concretizar”.
     Esta revelação o convenceu completamente das afirmações de Claude. Durante a guerra, o Pe. O'Leary prometeu erguer uma igreja em homenagem à Imaculada Conceição se ele sobrevivesse. Ele cumpriu a promessa em 1947 e a igreja ainda permanece em Clarksdale, Mississippi.
     Quando o padre e Claude retornaram à aula sobre a Confissão, Claude disse a seus amigos: "Vocês não deveriam ter medo da Confissão. Vocês realmente estão dizendo a Deus seus pecados, não ao padre. Sabe, a Senhora disse que a Confissão é algo como um telefone. Conversamos com Deus por meio do sacerdote, e Deus nos fala por meio do sacerdote".
      Finalmente, os catecúmenos foram recebidos na Igreja. Nos registros batismais da paróquia de Santa Maria em Vicksburg, MS, o batismo de Claude é registrado em 16 de janeiro de 1944, quatro dias antes da execução programada.
     Quando o dia se aproximou, o xerife perguntou a Claude se ele tinha um último pedido.
     "Bem, os meus amigos estão todos abalados. O carcereiro está abalado. Mas você não entende. Eu não vou morrer; apenas esse corpo é que vai. Eu vou estar com Ela. Então, eu gostaria de fazer uma festa".
     "O que você quer dizer?", perguntou o xerife Williamson.
     "Uma festa!" disse Claude. "O Sr. daria permissão ao Padre O'Leary para trazer alguns bolos e sorvete, e permitiria que os prisioneiros do segundo andar fossem levados para a sala principal para que todos possamos estar juntos e fazer uma festa?"
     O xerife estava admirado, mas consentiu, e até permitiu que os companheiros de Claude participassem.
     Então, o padre O'Leary visitou uma rica patrona da paróquia, e ela generosamente forneceu sorvete e bolo, e todos gostaram da festa.
     A pedido de Claude o Pe. O'Leary trouxe livros de oração da Igreja, e todos juntos rezaram a Via Sacra e fizeram uma Hora Santa, sem o Santíssimo Sacramento, rezando especialmente por Claude e por todas as suas almas.
     À medida que a hora da execução de Claude se aproximava, os homens foram colocados de volta à suas celas.
     O sacerdote foi então para a capela para buscar o Santíssimo Sacramento para que ele pudesse dar a Comunhão a Claude momentos antes da sua execução. O Padre O'Leary voltou à cela de Claude. Este se ajoelhou de um lado das grades, o sacerdote ajoelhou-se, e eles rezaram enquanto o relógio caminhava para a hora da execução.
     Quando ele já se preparara com o Pe. O'Leary, o xerife chegou apressadamente e gritando que o governador havia concedido um adiamento da execução de duas semanas. Para seu espanto, o jovem começou a chorar, inconsolável.
     Claude não estava ciente de que o xerife e o procurador do distrito estavam tentando obter uma suspensão da execução de Claude para salvar sua vida. Mas quando Claude descobriu, começou a chorar.
     Desconcertado, o xerife deixou a sala. O padre permaneceu e Claude se acalmou, então o Padre O'Leary deu a Comunhão a ele. Depois, Claude disse: "Mas o Sr. não entende! Se o Sr. tivesse visto seu rosto e olhado nos olhos dEla, não gostaria de viver outro dia!... O que eu fiz de errado nessas últimas semanas para que Deus me recusasse ir para casa?... Por que, padre? Por que eu ainda devo permanecer aqui por duas semanas?"
     O Padre O'Leary teve uma súbita inspiração. Ele lembrou-o de James Hughs, um prisioneiro branco na mesma prisão, que odiava Claude intensamente. Este prisioneiro levou uma vida horrivelmente imoral, e, como Claude, ele também fora condenado a ser executado por assassinato. James foi criado como católico, mas agora ele era um réprobo e rejeitava Deus e todas as coisas cristãs.
     O Padre O'Leary disse então: "Talvez nossa Bem-aventurada Mãe queira que você ofereça esse adiamento de estar com Ela para a conversão dele". E o sacerdote continuou: “Por que você não oferece a Deus cada momento que você está separado da sua Mãe celestial por esse prisioneiro, para que ele não seja separado de Deus por toda a eternidade?”.
     Claude pensou por um momento, depois concordou, e ele pediu ao Padre O'Leary que lhe ensinasse as palavras para fazer a oferta. O Padre O'Leary cumpriu e, mais tarde, declarou que, a partir desse momento, as duas únicas pessoas na terra que conheciam essa oferta pessoal eram Claude e ele mesmo, porque era um assunto privado entre Deus, a Santíssima Mãe, Claude e ele mesmo.
     Algumas horas depois (ainda na manhã seguinte ao seu indulto de execução) Pe. O'Leary veio mais uma vez visitar Claude que disse ao padre: "James me odiava antes, mas, ó padre, como ele me odeia agora!" (Isso ocorreu porque James tinha ouvido falar do perdão de Claude e tinha ciúmes) Para encorajá-lo, o bom padre disse: "Bem, talvez seja um bom sinal”.
A execução de Claude
      Durante as duas semanas de indulto, Claude generosamente ofereceu seus sacrifícios e orações por seu companheiro prisioneiro, o réprobo James Hughs. Duas semanas depois, Claude foi finalmente morto pela cadeira elétrica em 4 de fevereiro de 1944.
      Sobre a santa morte de Claude, o Padre O'Leary testemunhou: “Nunca vi ninguém ir para a morte com alegria e felicidade. Mesmo as testemunhas oficiais e os repórteres do jornal ficaram maravilhados. Eles disseram que não entendiam como alguém podia sentar-se na cadeira elétrica radiante de felicidade”.
     A notícia da morte de Claude apareceu em Vicksburg Evening News no dia da sua execução (vide foto à esquerda). Suas últimas palavras para o Padre O'Leary foram: "Padre, eu me lembrarei do Sr. E sempre que tiver um pedido, peça-me e eu vou pedir a Ela”.
A milagrosa conversão e execução do prisioneiro James Hughs

     Três meses depois, em 19 de maio de 1944, o homem branco por quem Claude tinha oferecido seu sacrifício, deveria ser executado. O Padre O'Leary disse: "Este homem era a pessoa mais imunda que eu já havia encontrado. Seu ódio a Deus e a tudo que fosse espiritual é difícil de descrever".
     Ele não permitia um sacerdote ou um clérigo em sua cela. Pouco antes de sua execução, o médico do condado suplicou que pelo menos ele se ajoelhasse e rezasse o "Pai Nosso" antes que o xerife viesse buscá-lo. O prisioneiro cuspiu no rosto do médico!
     Quando ele foi preso na cadeira elétrica, o xerife disse a ele: "Se você tem algo a dizer, diga agora". James Hughs começou a blasfemar. De repente, ele parou de falar e seus olhos se fixaram num canto da sala, teve um olhar de surpresa rapidamente seguido por um grande horror, e ele gritou: "Xerife, me chame um padre!"
     O Padre O'Leary estava na sala, porque naquela época a lei do Mississippi exigia que um clérigo estivesse presente nas execuções. O sacerdote, no entanto, tinha se escondido atrás de alguns repórteres porque o condenado ameaçava amaldiçoar Deus se ele visse um clérigo.
     Ao ouvir o seu pedido, o Padre O'Leary imediatamente foi até o condenado. As pessoas saíram da sala e ele ouviu a confissão do homem. James disse que era católico, mas se afastou de sua religião quando tinha 18 anos por causa de sua vida imoral. Ele confessou todos os seus pecados com profundo arrependimento e fervor intenso.
     Quando todos voltaram para a sala, o xerife perguntou ao padre: "Padre, o que o fez mudar de ideia?"
     "Eu não sei", disse o Padre O'Leary, "não perguntei a ele".
     O xerife disse: "Bem, eu não vou dormir hoje à noite se eu não lhe perguntar". O xerife foi ao condenado e perguntou: "Filho, o que fez você mudar de ideia?"
     O prisioneiro respondeu: "Lembra-se daquele homem negro, Claude - aquele que eu odiava tanto? Bem, ele estava parado ali [e ele apontou], naquele canto. E atrás dele, com as mãos sobre os ombros dele, estava a Santíssima Virgem Maria. E Claude me disse: ‘Ofereci minha morte em união com Cristo na Cruz para a sua salvação. Ela obteve para você este dom de ver seu lugar no inferno se você não se arrepender’. E foi-me mostrado meu lugar no inferno, e é por isso que eu gritei".
     James Hughs foi executado como previsto, mas a aparição celestial de Nossa Mãe Santíssima com Claude Newman e a visão subsequente do inferno converteram instantaneamente sua alma nos últimos momentos de sua vida.
     Mais uma vez, o simples uso da Medalha Milagrosa atraiu o olhar de Nossa Mãe, e salvou não só uma, mas muitas almas naquela prisão do Mississippi

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Santa Margarida da Escócia - 16 de novembro

    
Casamento de Sta. Margarida e Malcolm III

     A história da Escócia em geral, e de Edimburgo em particular, foi muito conturbada através dos tempos. Não só os seus primeiros habitantes tentaram defender-se dos inimigos, como todos aqueles que vieram mais tarde, por exemplo, os romanos, que mantiveram sempre um contato estreito com a população local, os Votadini.
     Em 1017 o rei da Inglaterra Edmundo II foi assassinado. Canuto II, o Grande, rei da Dinamarca, viu nisto uma oportunidade para concluir a conquista deste país. Enviou para a Suécia os dois filhos do rei falecido, Edmundo e Eduardo, esperando que lá fossem mortos, mas o rei sueco mandou os órfãos para a Hungria, onde reinava Santo Estêvão. Este rei recebeu-os com todo afeto e providenciou que lhes fosse dada uma educação segundo seu nascimento. Edmundo morreu sem sucessor; Eduardo, o Exilado, casou-se com Ágata, sobrinha do Imperador Santo Henrique e irmã de Gisela, esposa do rei Santo Estêvão. Nasceram-lhes três filhos: Edgard, herdeiro do trono inglês e mais tarde Cruzado, Cristina, que se tornou religiosa em Romsey, e Margarida.
     Quando Santo Eduardo III, o Confessor, subiu ao trono da Inglaterra, em 1041, convidou seu parente, que vivia exilado na corte da Hungria, a voltar com a família para a Inglaterra. Em 1054 foram muito bem recebidos. A princesa Margarida, jovenzinha, a todos encantou por sua piedade e modéstia. Já então dava mostras de sua caridade para com os pobres e necessitados, e era devotíssima da Mãe de Deus.
     Em 1066, Guilherme, o Conquistador, atravessou o Canal da Mancha e invadiu a Inglaterra. Na batalha de Hastings se apoderou do trono inglês. Para subtrair-se à tirania do conquistador, Edgard e Margarida, estão com 20 anos de idade, fugiram para a Hungria, pois sabiam que seriam bem recebidos. Mas outro era o desígnio da Providência, e durante uma tempestade o barco que os transportava foi atirado às costas da Escócia.
     Neste país foram acolhidos pelo rei Malcolm III. Este já fora casado com Ingeburge de Orkney (morta em 1069), com quem tivera três filhos. Encantado com as qualidades de Margarida, propôs-lhe o matrimônio. Há muito alimentava ela o desejo de fazer-se religiosa como sua irmã Cristina. Seu confessor convenceu-a que poderia auxiliar mais a religião subindo ao trono. No ano de 1070 casaram-se em Dunfermline e Margarida foi coroada rainha da Escócia. Aos 24 anos de idade, foi reputada a princesa mais formosa de seu século.
     O matrimônio foi abençoado por Deus com nove filhos, seis homens e três mulheres, todos tendo seguido a senda da mãe. Etelreda faleceu pequenina, Eduardo foi morto com seu pai em 1093; três filhos, Edmundo, Edgar e David, reinaram sucessivamente no trono da Escócia, continuando a Era Dourada inaugurada por seus pais; quanto às duas filhas, Matilde tornou-se esposa de Henrique I da Inglaterra, e era uma imagem viva da mãe; Edith casou-se com Eustácio, Conde de Boulogne, tornando-se por sua vez a mãe de seu povo. Dois de seus filhos, Matilde e David I, rei da Escócia, foram elevados à honra dos altares.
     Margarida empregou todos os esforços para criar um ambiente mais civilizado na corte. Inteligente e muito religiosa, conseguiu modernizar o país introduzindo ideias da Inglaterra e da Europa. Copiou algumas modas normandas, como carnes temperadas e vinhos franceses, tapeçarias, roupas bonitas, dança e canto.
     Ela era uma rainha “piedosa e varonil ao mesmo tempo. Cavalgava gentilmente entre os magnatas, tecia e bordava entre as damas, rezava entre os monges, discutia entre os sábios, e entre os artistas planejava projetos de catedrais e de mosteiros”. (1)
     Era muito amada pelo povo, pois mudou os modos da corte e seus padrões de comportamento; os nobres foram proibidos de embebedar-se. Ela ajudava os pobres, alimentava-os, dava-lhes abrigo. Diariamente servia pessoalmente a refeição a nove meninas órfãs e a 24 anciãos. Durante o Advento e a Quaresma, atendia a 300 pobres, com o rei, ambos de joelhos, por respeito a Nosso Senhor Jesus Cristo em seus membros padecentes, oferecendo-lhes comida da mesa real.
     Foi dela a ideia dos barcos chamados Queen's Ferry sobre a passagem do Firth of Forth para Santo André. Encorajou o comércio exterior. Margarida convidou três monges beneditinos ingleses da Abadia de Canterbury a construir um mosteiro em Dunfermline para abrigar seu maior tesouro: uma relíquia da verdadeira Cruz. Restaurou o mosteiro na Ilha de Iona, que fora fundado por São Columbano. Os monges trouxeram novas habilidades agrícolas e novidades na arquitetura. Ela fundou um hospital para prisioneiros doentes, onde eles eram tratados com extremo cuidado até obterem sua liberdade.
     Margarida mandou também construir uma capela nova no castelo de Edimburgo, no estilo normando, que é atualmente uma das mais antigas igrejas na Escócia, e onde a Rainha passava horas em prece. Seu Evangelho, livro ricamente adornado com joias, caiu um dia num rio e foi miraculosamente recuperado, estando hoje na Biblioteca Bodleian em Oxford.
     Malcolm ouvia os conselhos da esposa para estabelecer as leis do reino, e deixou-a reunir vários concílios. Desta forma ela procurou reconduzir os escoceses aos costumes da Igreja de Roma. A comunhão pascal e o descanso do domingo tinham sido descuidados; a celebração da Missa era acompanhada com ritos pagãos ou profanos; os casamentos entre parentes próximos, proibidos pela Igreja, não eram raros. A rainha fez com que esses abusos cessassem, e obteve também que a Quaresma iniciasse na Quarta-feira de Cinzas. Enfim, ela organizou a Igreja da Escócia e atraiu ordens religiosas, principalmente da França e da Inglaterra, com vistas a contribuir eficazmente para o incremento da vida litúrgica, pois desejava o esplendor na Casa de Deus.
Sta. Margarida cuidando de um pobre
     O seu quarto era, por assim dizer, uma oficina cheia de paramentos em vários graus de execução. Os seus cuidados não tinham por objeto apenas as igrejas: ela mandou vir do exterior ornamentos para o palácio e quis que o rei andasse sempre acompanhado por uma guarda de honra.
     Mas, à noite, depois de tomar algum repouso, levantava-se para rezar as Matinas da Santíssima Trindade, da Cruz, de Nossa Senhora, o ofício dos defuntos, o saltério inteiro e Laudes. De manhã, após lavar os pés de seis pobres e servir as nove órfãs, assistia cinco ou seis Missas particulares antes da Missa solene. Este era o programa do Advento e da Quaresma. No resto do ano estes exercícios reduziam-se, mas os pobres continuavam a ser atendidos.
     Margarida anglicizou e refinou a corte e o marido com suas virtudes, modéstia, beleza rara. Sua paciência e doçura suavizaram os modos do marido - e converter o Rei é converter o Reino. O marido iletrado, embora falasse três línguas, foi se tornando mais cristão e a seus três filhos, que reinaram depois dele, Margarida inspirou amor a Deus, desprezo das vaidades terrestres e horror ao pecado. Assim, toda a Escócia progrediu, tornando o reinado de Malcolm um dos mais felizes e prósperos da Escócia. Seus três filhos, Edmundo, Edgar e David, reinaram sucessivamente no trono da Escócia, continuando a Era Dourada inaugurada por seus pais.
     Em 1093, o marido partiu em expedição contra Guilherme o Ruivo, da Inglaterra, que tinha invadido a Northumberland escocesa. Margarida pediu a ele que não fosse pessoalmente, mas ele resolveu ir com seus filhos Eduardo e Edgard, pois acreditava que o temor da rainha era devido à sua bondade. A rainha estava acamada em sua última doença e dias antes de sua morte, a 13 de novembro, disse que algo de ruim para a Escócia havia acontecido. Dias depois chegou a notícia: Edgar voltou da guerra e relatou que o rei tinha sido morto naquele dia, junto com seu primogênito, numa emboscada durante a campanha. Erguendo os olhos ao céu, dizendo que considerava a tragédia como castigo por seus pecados, Margarida começou a rezar e faleceu. Era o dia 16 de novembro de 1093, a rainha tinha 47 anos de idade.
     Seu corpo foi sepultado diante do altar principal da abadia de Dunfermline, ao lado do marido.
     Em 1093 o rei Malcolm III mandara construir o seu castelo em Edimburgo; seu filho mais novo, o rei David I mandou construir uma capela dedicada à sua mãe, a rainha Margarida, que é hoje o edifício mais antigo da cidade, visto que nada mais restou do castelo da época.
     Em 19 de julho de 1259 suas relíquias foram transferidas para um santuário novo. Foi canonizada em 1250 ou 1251 pelo papa Inocêncio IV e é festejada em 16 de novembro.
     Quando esse país caiu na heresia protestante, os católicos recolheram secretamente as relíquias da rainha santa e de seu esposo, a quem também consideravam santo, e as enviaram ao rei Filipe II da Espanha, que lhes deu um refúgio seguro no mosteiro El Escorial, que acabava de construir. Mas quando o Bispo Gillies de Edimburgo pediu sua devolução, não foram encontradas.
     Santa Margarida tornou-se padroeira da Escócia.

Sta. Margarida participando de um Concílio

Nota:
1. Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madrid, 1945, tomo II, p. 579.
Fontes: Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, tomo VI, pp. 548/554.
Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, S. A., Saragoça, 1947, tomo III, pp. 413/423.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Santa Maxelenda, virgem e mártir – 13 de novembro

Martirológio Romano: No território de Cambrai, na França, Santa Maxelenda, virgem e mártir, que tendo escolhido Cristo como esposo, recusou seguir o homem a quem fora prometida por seus pais e, assim, morreu transpassada pela espada.

     Santa Maxelenda, segundo um relato do século X, nasceu em Caudry, próximo à Cambrai; seus pais, Huinlino e Ameltrudes eram nobres. Seu pai era conhecido tanto por suas qualidades pessoais como por sua grande riqueza. Santo Alberto era então Bispo de Cambrai.
     Maxelenda desde pequena demonstrava grande piedade. Ela costumava isolar-se para rezar. Atingindo a idade de 20 anos, não faltaram pretendentes, mas os pais haviam escolhido para ela Harduin d’Armeval, futuro senhor de Solesmes, que era pagão.
     Quando a jovem levou ao conhecimento dos pais que seus projetos eram outros, estes tentaram persuadi-la a servir a Deus como esposa e mãe, como não poucas santas da história haviam feito. Maxelenda pediu um tempo para pensar, mas um anjo lhe apareceu para confirmar a sua escolha e então ela informou ao pai que desejava tornar-se monja.
     Entretanto, os pais também se mostraram decididos e iniciaram os preparativos para o casamento, mesmo contra a sua vontade. Para evitar a cerimônia, Maxelenda foi obrigada a se refugiar com sua ama perto de Cateau-Cambresis, mas Harduin e seus amigos descobriram seu esconderijo e tentaram raptá-la. A jovem felizmente conseguir fugir e já estava escapando quando o esposo prometido a golpeou furiosamente com a espada, matando-a. Imediatamente Harduin ficou cego.
     Maxelenda foi sepultada na igreja de Saint-Sulpice de Pommereul, mas em virtude dos numerosos milagres verificados junto a sua sepultura, em 673 o Bispo de Cambrai e de Arras, Vindiciano, fez transladar suas relíquias para a igreja de Saint-Vaast de Caudry.
     Harduin, que havia pedido para participar da procissão, caiu de joelhos quando da passagem de suas relíquias. Arrependendo-se de seu crime e pedindo perdão a Deus, recuperou no mesmo instante a visão.
     Ainda hoje Santa Maxelenda é festejada na Diocese de Cambrai no dia 13 de novembro.

Basílica de Santa Maxelenda
     A construção desta imponente basílica, nos anos 1830, revela a importância da veneração dedicada à Santa em Caudry.
     O edifício, em estilo gótico, foi edificado segundo planos do arquiteto Luís Cordonnier, entre 1887 e 1890. Local de peregrinação dos cegos e daqueles que têm pouca visão, ela foi elevada a basílica menor por um breve pontifício de 3 de setembro de 1991. No interior, capelas dedicadas à Nossa Senhora do Rosário e à Santa Maxelenda, com o relicário da Santa.

Oração:
     Santa Maxelenda, virgem e mártir, tu que curaste teu assassino que ficara cego, guardai nosso precioso dom da visão, curai aqueles que dela estão privados, ou que estão em risco de perdê-la. Obtenha sobretudo a luz do espírito e do coração para que caminhemos sempre nas vias do Evangelho. Tu que desejavas te consagrar a Deus, instrui aqueles que buscam sua vocação nesta terra. Que com a ajuda de tua oração eles encontrem a paz e realizem sua vocação. Amém.

Etimologia: Maxelenda, derivado do latim Maximus: “o maior”, “o máximo”, e talvez acrescido da abreviação “linda” de nomes como Ermelinda, Deolinda.

Fontes: www.santiebeati;itBook of Saints, by the Monks of Ramsgate; Wikipédia

A Basílica de Sta. Maxelenda em Caudry, França