terça-feira, 7 de junho de 2016

Santa Quitéria, virgem e mártir - 8 de junho

    
     Segundo consta do hagiológio português e na história d Braga, Portugal, Quitéria foi uma das nove filhas nascidas de parto único de Cálsia Lúcia, mulher de Lúcio Caio Otílio, governador de Portugal e Galiza sob o Império Romano, no século II da nossa era. Quitéria nasceu no ano de 120, em Bracara Augusta, na região do Minho, por ocasião em que seu pai acompanhava o imperador romano Adriano em viagem pela Península Ibérica.
     Naquela época predominavam as superstições, a ponto de represália do marido, homem de procedimento muito rígido, levar Cálsia Lúcia a instruir a parteira de nome Cília que matasse as nove crianças. Mas, movida pelos sentimentos cristãos de piedade e amor ao próximo, Cília desobedeceu à patroa entregando as meninas ao arcebispo de Braga, Santo Ovídio, que as batizou e encomendou o seu cuidado e educação a diversas famílias cristãs, tudo a suas expensas.
     Anos mais tarde, tomando conhecimento da existência das suas filhas e estando comprometido com um cortesão de nome Germano, Otílio desejou que a filha Quitéria com ele se casasse. Ante a recusa da filha, Otílio condenou-a à morte, cuja execução foi perpetrada pelo próprio Germano no dia 22 de maio do ano de 135. Quitéria estava com 15 anos de idade.
     Conta-se que os soldados que a prenderam ficaram cegos. Diz ainda a tradição que após ter a cabeça decepada, Quitéria a tomou em suas mãos e caminhou até a cidade vizinha onde caiu e foi sepultada
     De Quitéria diz-se que tinha a graça de estar sempre perante a presença física do seu Anjo da Guarda, com quem conversava frequentemente e que a aconselhava em cada momento da sua vida.
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     A vida de Santa Quitéria se encontra envolvida em aspectos lendários, ainda pouco estudados.
     O martírio é referido pela primeira vez no século XII, estando relatado nos Flos Sanctorum de Alonso de Villegas e de Diogo do Rosário e inscrito no Martirológio Romano (22 de maio).
     Os primeiros milagres obtidos por sua intercessão datam do século VIII, altura em que começou a ser venerada como mártir. O culto de Santa Quitéria, promovido particularmente pelos jesuítas, encontra-se bem alicerçado na devoção popular que a invoca como advogada contra a raiva.
     A arquidiocese de Braga celebra a sua memória no dia 8 de junho. Felgueiras não só lhe erigiu um santuário no local onde supostamente foi sepultada, como tem Santa Quitéria como padroeira.
     A iconografia desta nobre donzela romana faz alusão a certos episódios da sua vida e revela o instrumento material do martírio, aspectos que nos propomos analisar bem como fazer referência ao culto e às dificuldades causadas pelas diversas lendas sobre a sua vida.
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     Segundo uma tradição espanhola, o corpo de Santa Quitéria foi recolhido e sepultado pelos cristãos perto das ruínas de um antigo mosteiro, São Pedro da Mata, da época visigótica, que fora mandado edificar por São Eugênio, bispo de Toledo, no século V. O rei visigodo Wamba, mandou reconstruir o mosteiro para render culto a Santa Quitéria.
     Segundo esta versão espanhola da vida de Santa Quitéria, as relíquias da santa foram transladadas para o sul da França no ano de 711, quando da invasão dos árabes, por se temer que elas fossem profanadas. As relíquias foram levadas para a cidade de Aire-sur-Adour, a 100 k da fronteira espanhola. As relíquias foram colocadas em um sarcófago e ali permaneceram até o século XI, sendo seu túmulo confiado aos monges beneditinos da Abadia de Chaise-Dieu. Estes monges edificaram um mosteiro e uma bela igreja no local onde existira a velha igreja dedicada a Santa Quitéria. Em sua cripta românica há um belo sarcófago de mármore onde se guardava as relíquias da santa.

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